
Carta 259Agosto 2026
Comentário do gestor
Estimados coinvestidores,
Em agosto, nosso Fundo Vokin Everest teve resultado de +1,75%, acima do CDI e melhorando a rentabilidade do ano para +5,80%.
Nossos Fundos de ações Vokin GBV Aconcágua, Vokin GBV Aconcágua 30 e Vokin K2 tiveram resultados de -0,60%, -0,61% e -0,41% no mês, quando o índice Ibovespa teve -0,33% e o índice SMLL -1,26%.
Conforme mencionamos no mês passado, o índice Ibovespa segue sendo beneficiado, neste ano, pelas empresas de produção e distribuição de petróleo, que têm grande participação no índice e estão tendo um ano de valorização em função da alta da commodity e da guerra entre EUA e Irã.
Enquanto o índice Ibovespa valoriza +10,11% no acumulado do ano, o índice SMLL, de empresas de menor liquidez da bolsa brasileira, desvaloriza -6,50%.
Muitas empresas do mercado doméstico, de menor liquidez e mais sensíveis à curva de juros futuros, estão deixadas de lado na bolsa brasileira neste longo período de juros altos e baixa liquidez.
Por outro lado, e olhando o copo meio cheio, são justamente essas empresas as que tem um grande potencial de valorização com qualquer melhora de cenário.
Estamos em pleno processo eleitoral, que tem trazido à tona a necessidade premente de um ajuste fiscal pelo Governo, para que haja uma estabilização da dívida pública e para que os juros possam cair no país.
A oposição tem falado muito em como os juros altos têm afetado negativamente a vida e as contas dos brasileiros. Hoje, 44% da população adulta tem contas em atraso e as dívidas já comprometem cerca de 29% da renda familiar média.
O próprio Governo, que há quatro anos tem entregue déficit primário, agora está falando em controle fiscal e em buscar um superávit primário em 2027.
Independentemente de quem ganhe as eleições, sabemos que Brasília tem a fama de chegar perto do precipício e, na última hora, recuar. Juros tão altos não podem ser mantidos por muito tempo, sob pena de quebrar o país ou o Governo.
Em uma eventual reeleição do Governo, entendemos que muito do pessimismo já está no preço das ações. Em uma eventual vitória da oposição, entendemos que o mercado comprará com mais confiança um ajuste fiscal, que poderá levar a uma forte valorização das ações.
Em agosto, os investidores estrangeiros tiveram saída líquida de R$ 18 bilhões da Bolsa brasileira. No acumulado do ano, o saldo dos estrangeiros, que já esteve positivo em R$ 65 bilhões, está em R$ 18 bilhões.
Com os juros altos há muito tempo, hoje temos perto de R$ 15 trilhões investidos em renda fixa no Brasil. Todo esse dinheiro está “dormindo” no CDI e, por outro lado, aumentando a dívida pública. Em algum momento, esse dinheiro vai ter que voltar para trabalhar.
Nós compramos empresas – um conceito que é muito diferente de comprar ações. Acreditamos que dinheiro se faz nas empresas, que toda riqueza construída no mundo veio do empreendedorismo e das melhorias que as empresas geraram na vida das pessoas.
Em Eclesiastes, Salomão já dizia que deveríamos investir em bons e diferentes negócios, que “COM O TEMPO”, teríamos nosso lucro.
Muitas vezes, o mais difícil é termos paciência, ainda mais com as cotações diárias e as quotas diárias dos fundos que, às vezes, mais nos atrapalham do que ajudam – por questões emocionais e não racionais.
Uma boa analogia sobre o tempo e um investimento é a agricultura.
Se um agricultor não vende o seu campo porque teve uma safra anual ruim, por que temos tanta preocupação com as cotações diárias de ações de empresas?
E, se entendemos que as ações são ainda melhores do que um campo porque têm liquidez diária, podemos entender que a liquidez, na verdade, é uma vantagem, e não uma desvantagem, que muitas vezes nos afeta.
Hoje estamos investindo em mais de 20 empresas, de diferentes setores e lugares e que acreditamos que continuarão existindo e em busca de lucro, se adaptando a qualquer cenário macroeconômico.
Hoje estamos com Suzano (maior produtora de celulose do mundo, e líder em custo), Pague Menos (a segunda maior rede de farmácias do país), Iochpe Maxion (maior empresa de rodas de aço do mundo), Hypera e Blau (indústrias farmacêuticas com liderança em seus segmentos), Shopping Iguatemi (rede de shoppings mais premium do Brasil), Ser Educação (uma das grandes empresas de ensino superior do país), Vale (empresa líder em minério de ferro de qualidade no mundo), Minerva (maior exportadora de carne bovina da América do Sul), Sabesp (maior empresa de saneamento do país), Bradesco e Itaúsa (dois dos maiores bancos incumbentes do país e Itaúsa com controle de Alpargatas, Dexo e participação na Aegea), Klabin (empresa líder na produção de papelão), Vamos (maior empresa de locação de caminhões e empilhadeiras do país), Azzas (o principal grupo de marcas de moda do Brasil), Vulcabras (concorrente brasileiro no mercado mundial de tênis), Log (empresa líder em galpões logísticos no Brasil), entre outras.
E estamos manejando o portfólio continuamente, acompanhando as empresas e seus resultados trimestrais e, por vezes, ajustando o tamanho de cada posição conforme aumenta ou diminui nossa margem de segurança.
Investimos sempre pensando no longo prazo, com mentalidade de donos e com o cuidado de quem cuida do próprio dinheiro, até porque, de fato, estamos todos investindo nos mesmos Fundos.
Acreditamos fortemente que “com o tempo”, com paciência e resiliência, teremos nosso lucro.
No que está no nosso controle, temos trabalhado com dedicação e comprometimento, fazendo o melhor possível para acertar nas escolhas, com os olhos no futuro.
Desejamos um melhor mês de setembro para todos nós.
Obrigado pela paciência que nos é exigida de todos nessas horas, e por seguirem investindo junto conosco!
Economia
Bem-vindo ao Hotel Califórnia
Na última semana de agosto, o Tesouro Americano anunciou a intenção de vender títulos de curto prazo para recomprar papéis com vencimento longo, acendendo no mercado o temor da volta da política de YCC – Yield Curve Control, uma ferramenta sedutora aos ouvidos de governos endividados. Ao contrário do convencional – quando o BC calibra apenas as taxas de curtíssimo prazo, deixando o resto da curva de juros para o mercado – o YCC atua como um convite irrecusável de intervenção. Nesse regime, o BC fixa o teto dos juros longos, normalmente de 3 ou 10 anos, se comprometendo a comprar a quantidade necessária de títulos para manter a taxa nesse patamar delimitado. O encanto inicial dessa política é inegável ao permitir custos menores da dívida pública, mas produz um sinal claro ao mercado que o retorno desses papéis será menor, forçando investidores a um rebalanceamento de seus portfólios. Ou seja, o BC acaba empurrando os investidores para ativos privados com maior risco e volatilidade, como títulos de crédito corporativo ou ações. O efeito imediato também é de queda nos juros desses papéis e ações valorizadas o que, em tese, dá a impressão de que o custo do capital das empresas ficou menor. Criamos o melhor dos mundos: o custo da dívida pública e privada cai, exerce menos pressão sobre os orçamentos públicos, o custo do investimento fica menor e é estimulado ao mesmo tempo que o Governo respira aliviado. O ambiente de investimento se torna confortável, calmo e livre de volatilidade. Contudo, os hóspedes que aceitam essa barganha logo descobrem a famosa maldição da música Hotel Califórnia: “o check-in é extremamente fácil, mas o check-out pode destruir o sistema financeiro”. Ao travar a curva de juros, o BC sabota a principal função do mercado de renda fixa: determinar qual o risco de prêmio. Em algum momento, o mercado muda, seja para investidores externos ou internos, e o interesse privado por esses papéis seca, deixando a autoridade monetária como a única grande compradora para títulos públicos, acumulando balanços insustentáveis. O que vem a seguir? A história nos conta. O experimento seminal para o YCC ocorreu nos EUA entre 1942 e 1951. Para bancar os esforços colossais da Segunda Guerra Mundial sem quebrar o país, o BC americano foi obrigado a travar o rendimento dos títulos longos do Tesouro em 2,5% e os curtos em 0,375%. O alívio de curto prazo cobrou um preço devastador no pós-guerra: sem ferramenta monetária para frear a economia, a inflação doméstica explodiu, ultrapassando 20% ao ano, o que forçou o histórico “Acordo Tesouro-Fed” de 1951 que devolveu para a autoridade monetária sua independência, encerrando a indexação. Décadas depois, em setembro de 2016, o Japão ressuscitou o YCC, estabelecendo uma meta de 0% para seus títulos de 10 anos. Mas o motivo era outro: tentar vencer a deflação crônica de anos. Amparado por um mercado financeiro altamente cativo e uma poupança interna gigantesca, o Banco do Japão (BoJ) sustentou essa ilusão por muitos anos. Mas a conta do Hotel chegou e veio na forma de depreciação cambial. No pós-pandemia, o diferencial de juros dos EUA x Japão para papéis longos era extremamente atrativo para investidores, que passaram a tomar dívida em moeda local para aplicar em títulos americanos, se aproveitando de uma distorção causada pelo YCC. Esse movimento teve como resultado uma forte pressão sobre o Iene, depreciando a moeda japonesa que acabou resultando em elevada inflação e o anúncio de uma saída gradual desse controle de juros. Outro exemplo recente foi a Austrália que, entre março de 2020 e novembro de 2021, usou o YCC para travar os juros de 3 anos em 0,10%. Quando a inflação reapareceu, o mercado testou os limites do Banco Central Australiano, resultando em uma ruptura caótica que fez os rendimentos dos títulos públicos saltarem violentamente, arranhando a credibilidade da instituição. É exatamente na intersecção entre o estresse do financiamento estatal e a exaustão fiscal que esse debate perigoso ecoa nos EUA e pode, em algum momento, seduzir governos como no Brasil. O país vive um momento delicado com a dívida pública subindo de forma nunca vista em um cenário de descontrole fiscal, que resulta em prêmios de risco elevados. Na medida em que o serviço da dívida pública estrangula o Orçamento da União (estamos pagando R$ 1 trilhão em juros por ano e o custo médio da dívida interna ultrapassa os 13% ao ano), vozes heterodoxas ecoam pelos corredores do Hotel Califórnia sugerindo a adoção de um mecanismo similar ao YCC. Mas, para não ficar tão aparente, com uma roupagem do tipo: “estabilização do mercado secundário”. Recentemente, entre março e abril de 2026, o Tesouro Nacional precisou atuar taticamente recomprando cerca de R$ 50 bilhões em títulos para frear solavancos na curva de juros. Os acontecimentos se acumulam. Foram cancelamentos de leilões, colocação parcial de papéis e troca de indexador, tudo isso porque o mercado está temeroso em adquirir títulos longos e pede taxas elevadas. Só que, ao contrário dos EUA, donos da moeda de reserva, ou do Japão, um país credor com mais de US$ 10 trilhões investidos no exterior, o Brasil é umbilicalmente dependente de capitais externos para financiar o déficit em transações correntes e fechar a conta do investimento interno. Se o BC fosse obrigado a fixar os juros longos a uma taxa menor que o mercado está pedindo, os investidores locais e estrangeiros, impedidos de exigir o retorno adequado pelo risco, fariam as malas e abandonariam o mercado de títulos públicos. Como a curva de juros estaria travada na marra, o canal de escape natural para todo esse estresse seria o câmbio. E mesmo com as reservas, a porta de saída seria pequena, com consequente choque cambial. Em suma, ao tentar forçar a fechadura do Hotel Califórnia para curar a dor do endividamento, o YCC no Brasil atuaria como o estopim perfeito para fuga de capitais, desancoragem das expectativas e a ressurreição do fantasma da inflação. Mas não duvide que ainda tenha viajantes querendo se hospedar nesse Hotel.
Estratégia Vokin GBV Aconcágua
Em agosto, o Ibovespa encerrou praticamente estável, com queda de 0,33%, mas o número esconde um mês tenso. O índice caiu em onze pregões consecutivos — a pior sequência em três anos —, recuou até 166,3 mil pontos e, depois, emendou nove altas seguidas. A virada acompanhou o investidor estrangeiro: as saídas da B3 chegaram a R$ 23,2 bilhões no acumulado até o dia 20, a maior fuga mensal desde janeiro de 2022, mas a volta do apetite na última semana devolveu parte disso e o mês terminou em torno de R$ 18 bilhões negativos, com o fluxo do ano ainda positivo em cerca de R$ 18 bilhões. No meio do mês, o JPMorgan rebaixou a bolsa brasileira de compra para neutra, citando o fim do ciclo de cortes de juros, a desaceleração da economia e o risco eleitoral. O dólar subiu 2,2%, para R$ 5,18. Na curva de juros, o trecho curto cedeu com a expectativa de novo corte da Selic, enquanto os vencimentos longos, muito voláteis, fecharam o mês perto de onde começaram.
No exterior, o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, assinado em junho, expirou em 17 de agosto sem renovação. O tráfego pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — segue muito abaixo do volume anterior à guerra. Houve novos ataques a navios e agressões de ambos os lados. Trump anunciou ainda uma “guerra econômica”, com sanções extraterritoriais. O petróleo Brent, que havia começado agosto perto de US$ 80 por barril, chegou perto de US$ 95, recuou para US$ 87 com a abertura de um corredor marítimo negociado entre Irã e Omã e terminou o mês outra vez acima de US$ 90.
Nos Estados Unidos, no fim do mês, o núcleo do PCE, índice de inflação preferido do Fed, veio acima do esperado e o Presidente do Banco Central americano, Kevin Warsh, adotou tom duro, afirmando que a meta de 2% é “firme e inalterável”. A probabilidade de alta de juros em setembro saltou de cerca de 40% para 65%. Os títulos americanos de 30 anos alcançaram 5,33%, máxima em quase duas décadas, com a dívida pública do país superando US$ 40 trilhões e o déficit do ano fiscal em US$ 1,8 trilhão, próximo de 6% do PIB. Japão, Alemanha e França também viram seus juros longos em máximas de vários anos — um encarecimento global do dinheiro que não favorece emergentes.
No comércio exterior, com a sobretaxa americana em 37,5% para boa parte das exportações brasileiras, o Brasil abriu duas frentes: no plano interno, o processo para eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, legislação brasileira que autoriza contramedidas unilaterais — até agora não adotadas; no multilateral, o pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio, aceito pelos Estados Unidos. As exportações aos Estados Unidos caíram 5% em julho, enquanto as vendas à China cresceram 8,6%, com perda líquida estimada em US$ 4,2 bilhões desde o início da disputa. Lula e Trump conversaram por telefone, mas a reunião técnica de 31 de agosto terminou sem avanço.
No Brasil, as contas públicas seguiram no centro do debate. A dívida bruta atingiu 82,5% do PIB em julho, o maior nível fora do período da pandemia, enquanto o custo médio da dívida federal segue no patamar mais alto desde 2016, em 12,68% ao ano. A Instituição Fiscal Independente e o Tribunal de Contas da União projetam déficit primário efetivo entre R$ 52 bilhões e R$ 59,8 bilhões no ano. Ainda assim, a meta é formalmente cumprida — com superávit de R$ 3,5 bilhões, na conta do TCU — porque a lei permite abater do cálculo até R$ 69,8 bilhões em precatórios, defesa e gastos temporários de saúde e educação. Em paralelo, os gastos classificados como financeiros, que ficam fora da meta, saltaram de 0,9% do PIB em 2023 para 2,1% em 2026. Hoje, seria preciso um superávit de 2,1% do PIB apenas para estabilizar a dívida. O Orçamento de 2027, entregue no dia 31, projeta o primeiro superávit primário efetivo desde 2015, de R$ 18,6 bilhões, mas assume crescimento do PIB de 2,46%, contra cerca de 1,5% estimado pelo mercado.
O crédito direcionado seguiu como principal instrumento parafiscal em ano eleitoral: R$ 13,5 bilhões do Brasil Soberano, o início do Desenrola Adimplentes e a ampliação do Move Brasil. Do lado da despesa, prorrogou-se novamente a subvenção de R$ 0,44 por litro na gasolina, que já custou quase R$ 7 bilhões desde o início da guerra. Do outro lado do balcão, porém, os sinais são de estresse: a parcela de famílias endividadas bateu recorde pelo sexto mês consecutivo, chegando a 82% do total, com inadimplência de 29,8%; as recuperações judiciais no país cresceram 66%; e a Casas Bahia pediu recuperação judicial, com R$ 17,3 bilhões de dívida declarada. O Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central alertou para o quadro e estuda medidas de contenção. Ao mesmo tempo, o Copom cortou a Selic de 14,25% para 14,00% e o IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40%, levando a inflação em doze meses a 4,24%, de volta a um nível abaixo do teto da meta — enquanto o IBC-Br, o Caged e a massa salarial mostraram a atividade perdendo força.
No campo eleitoral, a campanha começou em 16 de agosto e a disputa se estreitou. As pesquisas de segundo turno oscilaram entre empate técnico e vantagem de quatro pontos para Lula — Datafolha marcou 47% a 43%, e BTG/Nexus, 46% a 45%. Uma terceira via começou a aparecer nas pesquisas com Augusto Cury. O escândalo de Alexandre de Moraes pode impactar a percepção popular sobre as candidaturas. O plano de governo protocolado por Lula mantém o arcabouço fiscal, mas sua declaração de que a dívida pública não o preocupa teve repercussão negativa.
O Vokin GBV Aconcágua encerrou o mês com retorno de -0,60% e o Vokin GBV Aconcágua 30, -0,61%, enquanto o Ibovespa registrou retorno de -0,33%.
Recentemente, aumentamos nosso investimento em Iguatemi, empresa na qual iniciamos posição há pouco menos de dois anos e que foi tema da carta de março de 2025. Na época, mencionávamos a diferença de desempenho que os shoppings de vendas elevadas por metro quadrado vinham apresentando, desde a pandemia, em relação à média nacional: vendas crescentes e acima da inflação, enquanto os demais encolhiam em termos reais. Essa tendência continua, e vemos o Iguatemi cada vez mais bem posicionado, fruto das mudanças que vêm sendo feitas no portfólio — venda de participação nos shoppings de menor venda e aumento de participação nos melhores.
Desde 2024, a companhia reduziu sua área líquida de locação em 94,5 mil metros quadrados, uma queda de 22%, mas o impacto nas vendas foi de apenas 7,4%. Isso porque os shoppings em que ampliou participação — notadamente Pátio Paulista, Pátio Higienópolis e Rio Sul, somando 20,4 mil m² — vendem, por metro quadrado, cerca de três vezes o que vendiam os 115 mil m² alienados (São Carlos, Alphaville, Praia de Belas, Market Place, Ribeirão Preto e Rio Preto).
Olhando para o longo prazo, aumentar a exposição a shoppings de vendas elevadas importa porque há correlação direta entre a venda por metro quadrado e a capacidade de reajustar o aluguel acima da inflação. Os dois melhores ativos do grupo, o Iguatemi São Paulo e o JK Iguatemi, ilustram bem o ponto: apesar de responderem por apenas 7,7% e 9,1% da área bruta locável (ABL), geram 23,5% e 19,9% da receita de aluguel — 43,4% somados. Com vendas de R$ 9,8 mil por metro quadrado ao ano, o Iguatemi São Paulo vende 10,8 vezes a média do setor no Brasil, e o JK Iguatemi, 8,2 vezes. Desde 2019, o aluguel médio do Iguatemi São Paulo cresceu 5% ao ano acima da inflação, e o do JK, 7,5%. Na mesma janela, a venda média dos shoppings no Brasil encolheu cerca de 32% em termos reais, ou 6,2% ao ano. Hoje, estimamos que o Iguatemi tenha 82% da receita de locação em ativos de venda muito alta — pelo menos três vezes a média nacional —, acima da Multiplan, com 75%, e da Allos, com 22,3%.
Vemos a companhia bem posicionada para os próximos anos, com alavancagem financeira controlada e ativos de qualidade, que geram receita recorrente e têm perfil de lojista menos exposto à parcela da população mais afetada por um ciclo econômico desfavorável.
Para os próximos meses, será importante acompanhar o desdobramento da guerra entre Estados Unidos e Irã e seus efeitos sobre o petróleo; a decisão do Fed em setembro e o comportamento dos juros longos no mundo; a tramitação do Orçamento de 2027 e das pautas de gasto no Congresso; a evolução da inadimplência e do crédito privado; e o andamento das candidaturas à Presidência da República.
Vokin K2 Long Biased FIA
A Suzano assinou um acordo com o Grupo Imetame para adquirir participação de 10% na Imetame Logística Porto S.A., sociedade responsável pelo desenvolvimento de um empreendimento portuário greenfield, atualmente em construção no município de Aracruz – ES. O hub portuário deverá iniciar operações de carga geral no início de 2027, com escopo limitado às atividades previstas para sua primeira fase. O terminal de contêiners tem previsão de entrar em operação em meados de 2028 e terá capacidade futura estimada de aproximadamente 1,2 milhão de TEUs por ano, 750 metros de cais e equipamentos de movimentação de contêineres de última geração. Os demais terminais serão implantados em etapas posteriores.
A Ser aprovou a distribuição de dividendos intermediários, no valor de R$ 51,9 milhões. O valor corresponde a R$ 0,40 por ação, sendo beneficiados os acionistas na base acionária de 31 de agosto de 2026. Os pagamentos serão realizados em duas parcelas de R$ 25,9 milhões, sendo R$ 0,20 por ação, com a primeira parcela sendo paga em 25 de setembro de 2026 e a segunda parcela em 30 de outubro de 2026.
A Iguatemi comunicou que suas subsidiárias celebraram uma proposta vinculante em conjunto com o TRX REAL ESTATE FII, que estabelece as principais bases e condições para a venda de participações em 5 ativos imobiliários do seu portfólio. Os ativos objeto dessa transação correspondem às participações de: 36% do Iguatemi Alphaville; 10% no Iguatemi Ribeirão Preto; 10% no Iguatemi São José do Rio Preto; 35,55% no Praia de Belas; e 36% no I Fashion Outlet Novo Hamburgo. O valor total da transação é de R$ 876,1 milhões, correspondente a um cap rate médio de 7,3% baseado no resultado operacional dos últimos doze meses.
A Vale informou que sua subsidiária Vale Base Metals (VBM) está prosseguindo com o projeto de Flotação de Partículas Grossas em seu Complexo de Cobre Salobo, no Pará. Espera-se que a operação se inicie no primeiro semestre de 2028 e que ele adicione 6 milhões de toneladas à capacidade anual de processamento de minério da planta de Salobo. Além disso, a Wheaton Precious Metals concordou em pagar US$ 40 milhões à VBM para financiar parcialmente os investimentos relacionados ao projeto.
A Itaúsa comunicou que aumentou sua participação acionária na Aegea Saneamento e Participações, no contexto de aumento de capital da Investida. A companhia subscreveu 13,2 milhões ações ao preço de R$ 55,29 por ação, sendo um montante total de R$ 732 milhões. Após a conclusão desse aumento de capital, a participação da Itaúsa na Investida passou de 13,27% para 14,01% do capital total. Ainda, a companhia realizou pagamento de JCP, em 28 de agosto, relativos ao exercício social de 2026. O montante líquido foi de R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 0,20 por ação.
A Vulcabras informou o encerramento do programa de recompra de ações de emissão da companhia, por meio do qual foram adquiridas ações ordinárias observando o limite previsto no plano, que serão mantidas em tesouraria. A companhia informou que possuía um total de 3,8 milhões ações adquiridas no âmbito de todos os programas de recompra. Na mesma data, foi aprovado um novo programa de recompra de ações, com duração de até 18 meses. Poderão ser recompradas até 15 milhões de ações, representativas de 13,56% das ações em circulação.
A Log submeteu para análise e aprovação do CADE potencial transação de venda do ativo LOG Recife II, com base em um MoU celebrado com o TRX REAL ESTATE FII. O ativo conta com Área Bruta Locável total de 68.575m² (sendo 48.003m² Log). O valor da transação é de R$ 210 milhões, equivalente a R$ 4.375/m², com a margem bruta da transação sendo de 41% e a TIR do projeto de 26,1%. Em outro comunicado, a empresa anunciou o pagamento de R$ 13,9 milhões a título de dividendos intermediários. O valor corresponde a R$ 0,15 por ação ordinária, com o pagamento ocorrendo em 01 de outubro e beneficiando os acionistas na base acionária de 18 de agosto de 2026.
A Hapvida informou que aprovou o emprego de até R$ 250 milhões na recompra de debêntures de sua própria emissão e na liquidação antecipada de operação de hedge, reduzindo a dívida bruta da companhia em R$ 322,6 milhões após operações realizadas com deságio.
A Três Tentos anunciou a criação de um programa de recompra de ações ordinárias de emissão da companhia. Poderão ser adquiridas até 5 milhões de ações, representativas de aproximadamente 1% da quantidade total de ações e até 4,43% das ações em circulação. O prazo máximo para aquisição será de até 18 meses.
A Smart Fit comunicou a conclusão da aquisição do controle da Evolve Participações em Sociedades S.A., mediante a subscrição de novas ações ordinárias representativas de 60% do capital social total da Evolve. A empresa realizará um aporte inicial de R$ 39,7 milhões, sendo o saldo remanescente, de até R$ 60 milhões, aportado mediante o cumprimento das condições previstas no contrato.
Vokin Everest FIC FIM
Comentários dos Gestores
Em agosto, o mercado norte-americano manteve dinâmica semelhante a observada em julho, com altas nos índices de ações, inclusive o S&P 500 tendo renovado seu recorde, impulsionado pela divulgação de sólidos resultados corporativos, sendo que, novamente, o setor de tecnologia ficou como o grande destaque. Em paralelo, o mercado de renda fixa voltou a apresentar volatilidade com a continuidade de alta na taxa dos títulos soberanos, com títulos mais longos voltando para níveis de 2007, sendo, temporariamente, interrompida pelo anúncio de recompra de títulos de longo prazo pelo Governo. Esse movimento atípico gerou surpresa e discussão com o país em meio a preocupações com a situação fiscal, persistência inflacionária e nova alta do petróleo dada a retomada da tensão do conflito no Irã após o anúncio de sanções econômicas contra o país e novos bombardeios. A expectativa, agora, fica por conta da próxima reunião do Federal Reserve em meados de setembro principalmente pela ausência de sinalizações sobre a direção da política de juros pelo atual presidente Kevin Warsh, sendo que o mercado precifica, atualmente, uma maior probabilidade de elevação dos juros.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, de forma unânime e amplamente esperada pelo mercado, reduzir em 0,25 p.p. a taxa Selic, agora em 14,00% ao ano. Apesar do comunicado não trazer uma clara sinalização sobre a próxima decisão, a desaceleração de indicadores de inflação e de atividade econômica indicam para mais um corte na mesma magnitude para a reunião de setembro. O Ibovespa encerrou o mês com leve desvalorização de -0,33% em agosto, após ter apresentado uma queda mais expressiva durante o mês em função da saída de investidores estrangeiros. O dólar se valorizou +2,14% frente ao real e houve fechamento nas curvas de juros reais, representando alta de +1,58% no mês para o IMA-B.
O ambiente doméstico segue cada vez mais concentrado na disputa eleitoral, principalmente após as pesquisas mais recentes indicarem redução na vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, confirmando a expectativa de uma disputa bastante acirrada. Permanece no país a preocupação sobre a situação fiscal, principalmente em função da trajetória da dívida pública em um ambiente de elevado patamar de juros nominais e reais. Apesar de ser um assunto relevante para o plano de governo do Presidente que vier a vencer a eleição, tem sido um assunto abordado ainda de forma superficial nas campanhas dos candidatos.
O fundo Everest encerrou o mês com alta de +1,75%, ante +1,09% do CDI, acumulando alta, no ano, de +5,80% ante +9,32% do CDI. Os fundos multimercados macro tiveram bom desempenho no mês, recuperando parte da diferença sobre o CDI no ano, sendo que também contribuiu para o desempenho positivo do Everest no mês a posição direcional em juro real (IMA-B). Os melhores desempenhos no mês vieram dos multimercados macro Kapitalo Zeta (+5,82%), Itaú Optimus (+3,00%) e SPX Nimitz (+2,07%). Os piores desempenhos vieram do fundo de ações long only GBV Aconcágua (-0,61%) e do fundo multimercado Absolute Vertex (+0,64%).
Não foram realizadas alterações na carteira em agosto.
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