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Carta 260Setembro 2026

Comentário do gestor

Estimados coinvestidores,

Escrevemos esta carta um dia após as eleições brasileiras do dia 04/10/2026 – eleições que indicaram uma forte onda de direita no Congresso Nacional (Senado e Câmara dos Deputados) e no Governo de muitas unidades da federação.

Das 54 cadeiras disponíveis para o Senado nessa eleição (2 nomes por estado), 34 (63% do total) serão ocupadas por políticos de direita. Somente o PL fez 19, um terço do total.

Candidatos ao Senado que se mostraram a favor de mudanças no STF (Supremo Tribunal Federal) tiveram as maiores votações em diversos estados, evidenciando a maior crise na história do STF.

Na Câmara dos Deputados também houve um aumento de deputados de direita. O PL chega a 121 deputados.

E, das 27 unidades da federação, 20 já encerraram o primeiro turno com novos governadores – cinco de direita, 12 de centro e 3 de esquerda.  

Para o dia 25/10/2026, segundo turno, falta definir o próximo Presidente da República e os Governadores do Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.

Democracia é a forma de governo em que todas as pessoas têm direito a um voto.

Da pessoa com menos estudo à pessoa com mais estudo, da pessoa mais pobre até a pessoa mais rica, da pessoa mais introvertida à pessoa mais extrovertida, cada indivíduo tem um único voto e todos os votos têm o mesmo valor. Neste quesito, todos são realmente iguais perante a lei.

Essa forma de governo surgiu na Grécia, há 2.500 anos (no século V antes de Cristo), e o termo vem das palavras demos (povo) e kratos ou kracia (poder ou governo).

Abraham Lincoln, um humilde lenhador que chegou à presidência dos Estados Unidos em 1861, que conseguiu manter o país unido durante uma guerra civil e que é considerado o mais importante Presidente da história dos EUA, completou a definição de Democracia: “Um governo do povo, pelo povo e para o povo.”

Lincoln foi um grande defensor da liberdade. Foi ele quem, em 1863, declarou livres todas as pessoas escravizadas nos estados que estavam em rebelião contra a União.

Apesar de todas as dificuldades e problemas, Winston Churchill resume uma grande verdade: “A Democracia é a pior forma de governo, exceto por todas as outras formas que já foram tentadas.”  

Desde a Grécia até hoje, a democracia foi ganhando espaço sobre o absolutismo e o autoritarismo. E criou as sociedades mais desenvolvidas da civilização.

Entendemos que foi justamente o poder concentrado nas mãos de um Poder da República, o Judiciário, por intermédio do STF, que levou o povo brasileiro a dizer um basta ao poder concentrado nas mãos de tão poucos.

A história nos ensina. E temos que conhecê-la. Sempre que houve abusos de autoridade o povo se revoltou e, de uma forma ou de outra, mudou os rumos da história.

É muito bom poder votar!

Sabemos que somente votar não resolve, mas o voto, muitas vezes, é a arma que temos.

Felizmente vivemos em um país livre em que o povo vota e decide quem irá governar o país, ainda que ainda estejamos longe de ser um modelo de país.

Dia 25 de outubro teremos o segundo turno das eleições de 2026.

Sabemos que, no Brasil, três semanas de um período eleitoral pode ser uma eternidade, e que muita coisa pode acontecer, mas o fato de podermos votar e escolher é algo que pode e deve nos alegrar.

Esperamos que, neste período, os candidatos possam debater sobre propostas e caminhos para um ajuste fiscal e redução de juros longos para o bem de nossa economia.

Em setembro, tivemos resultados positivos em todos nossos fundos, em parte por conta das mudanças nas pesquisas eleitorais e ventos de mudança na condução de nossa economia.

Nossos Fundos de Ações Vokin GBV Aconcágua, Vokin GBV Aconcágua 30 e Vokin K2 tiveram resultados de +4,94%, +4,95% e +5,28%, respectivamente. E, neste dia 05/10, um dia após o primeiro turno, a bolsa tem forte alta de mais de 7%.

O Fundo Vokin Everest teve, em setembro, o resultado de +1,86%, acima do CDI e melhorando a rentabilidade do ano para +7,78%. O Fundo também começou muito bem o mês de outubro.

E o Fundo Vokin Essencial Matterhorn, um fundo com longo histórico positivo, mas novo como Fundo da Vokin, teve resultado de +5,07% em setembro.

O Brasil é muito rico e tem tudo para dar certo e prosperar, mas precisa de uma boa gestão pública, que preze pelo cuidado com o dinheiro público, que, na verdade, é o dinheiro dos contribuintes brasileiros.

Nós, que investimos em empresas brasileiras, estamos há muito tempo sofrendo com juros altos e pouca atratividade para investimentos em ações.

Acreditamos que isso possa mudar e que, com o tempo, paciência e resiliência, teremos nosso lucro.

Desejamos um melhor mês de outubro para todos nós. E que, depois de anos de vacas magras, possamos ter anos de vacas gordas pela frente.

Obrigado pela confiança e por investirem junto conosco!

Economia

E agora?

O adiamento da escolha do próximo Presidente do Brasil não muda o fato que há dois pontos que já ficam definidos e que importam muito para o mercado: o orçamento que vai ser herdado e o Congresso com o qual se vai negociar. Nenhum desses dois pontos muda até 25 de outubro, e, aqui, quero comentar sobre o que estará sobre a mesa em janeiro de 2027, seja qual for o Governo. Como por óbvio, o ponto de partida é o fiscal. A dívida bruta chegou a quase 83% do PIB em agosto, alimentada tanto pelos gastos acima da arrecadação quanto pelo pagamento de juros, que já atingiram R$ 1 trilhão por ano. Somente nesses primeiros oito meses de 2026, os juros acrescentaram 6,5 pontos percentuais na dívida, e o resultado só não foi pior porque o crescimento da economia, mesmo que baixo, ajudou a retirar 3,6 pontos dessa medida. Mas a preocupação é real pois, de um lado, temos uma dívida com custo de rolagem de 12,6% ao ano, patamar que faz ela dobrar em seis anos. E, de outro, um PIB com perspectiva de continuar desacelerando, o que significa que irá retirar menos pontos dessa evolução da dívida. A conta feita é: para um PIB crescendo abaixo de 2%, o Governo deveria ter um resultado primário de 3% a 4% do PIB para conseguir apenas estabilizar a dívida no atual patamar. Isso representa R$ 400 bilhões no ano. Não há a mínima chance disso acontecer em um orçamento de R$ 3,2 trilhões, o que nos leva para a realidade: a dívida vai continuar crescendo e, na melhor das hipóteses, a um ritmo menor que antes. O segundo desafio é que quase não há onde cortar sem mudar a lei. Isso porque, para o orçamento de 2027, temos cerca de 91,7% dos gastos previstos como obrigatórios, sendo a maior parte deles destinados à Previdência Social. Para fazer ajustes aqui, será necessária uma Emenda Constitucional ou Lei Complementar para mudar indexação, pisos e regras de benefícios. E isso nos leva para o terceiro ponto: a governabilidade do orçamento. A ideia do arcabouço fiscal teve vícios de origem e, no melhor cenário, produziria apenas um resultado sub ótimo em relação ao teto dos gastos. O tempo comprovou isso e, certamente, um novo arranjo deve ser proposto. Acontece que a maior bancada eleita para a Câmara terá 25% das cadeiras e uma emenda constitucional exige 308 votos. Qualquer Governo dependerá de coalizão, que será ampla para o caso da reeleição do atual e menor para o caso de uma renovação, mas, nem por isso, menos desafiadora. Ao mesmo tempo, o legislativo controla uma fatia crescente do gasto livre: as emendas impositivas previstas para 2027 já somam R$ 44,8 bilhões. Portanto, parte do ajuste fiscal será negociado com quem tem incentivo a ampliar despesas. O quarto desafio também tem a ver com o Ministério da Fazenda: como equilibrar um ajuste fiscal com uma economia que já está crescendo menos, evitando, dessa forma, uma recessão forte em 2027? A pesquisa de mercado feita pelo Banco Central com analistas aponta que terminaremos 2026 com um PIB em 1,8%, mas em rápida trajetória de desaceleração, tendo saído de 2,3% em 2025 e previsão de 1,4% em 2027. Aqui não tem mágica nem “bala de prata”, apenas macroeconomia. O cenário posto é de: i) famílias, estado e empresas estão altamente endividados; ii) o custo de capital continua extremamente elevado com uma Selic que deve terminar o ano em 13% e empurrar mais empresas para recuperação judicial; iii) a inflação teima em permanecer perto do teto da meta e muito vulnerável à volatilidade de preços, como dos combustíveis, exigindo que a Política Monetária permaneça restritiva; iv) a insegurança jurídica que afugenta investidores. Nessa situação, terminar o próximo ano com um PIB em 1,4% é para comemorar. O Ministério da Fazenda vai precisar, e muito, de uma articulação com o Congresso para aprovar algumas medidas impopulares ainda no primeiro semestre. E vai ter que torcer para a arrecadação não cair e trazer o empresário novamente para o jogo. E isso nos conduz para o quinto desafio: a execução da reforma tributária. Em 2027, a CBS, sem ainda ter aprovação definitiva da alíquota, tem previsão de arrecadar R$ 636 bilhões no orçamento federal, e vai substituir PIS e Cofins (que, juntas, devem arrecadar R$ 530 bilhões em 2026). Ou seja, há uma enorme incerteza fiscal de R$ 100 bilhões e que estaria relacionada à magnitude da alíquota que, em tese, o atual Congresso deveria definir. Mas não é somente isso. O orçamento também traz a previsão de arrecadação de R$ 42 bilhões do novo Imposto Seletivo, que vai incidir sobre o consumo de itens que o Governo definiu como “prejudicial à saúde ou ao meio ambiente”. Nesse grupo temos cigarros, bebidas alcoólicas, carros, aeronaves, barcos, minério de ferro, petróleo, carvão, gás e até as loterias e jogos de azar, no qual entram as “bets”. Essa transição tributária gera, de um lado, a ideia de que o Governo poderá contar com R$ 150 bilhões adicionais no caixa e, de outro, uma insatisfação nas pessoas e empresas. Podemos ter mudança na formação de preços, na gestão de capital de giro, na lógica dos incentivos estaduais e no comportamento do consumidor. Alguém pode afirmar que essa transição tributária vai continuar? Com qual alíquota? E depois de entrar como receita no orçamento, as despesas são criadas e reajustes salariais definidos, como tirar isso depois? O que observar a partir de novembro são os sinais sobre a capacidade de aprovar, mais do que as intenções declaradas: i) a composição da equipe econômica; ii) a versão final do orçamento de 2027; iii) o volume de emendas; iv) a proposta da regra fiscal que substituirá ou não o arcabouço; v) o que fazer com a transição da reforma tributária; vi) a agenda das primeiras emendas constitucionais. O prêmio embutido nos juros longos reflete todas essas dúvidas sobre a capacidade de gestão do próximo Governo. Ele só cede de forma sustentada quando a trajetória da dívida mudar, e isso depende de votos no Congresso tanto quanto da vontade de quem ocupar o Planalto.

Estratégia Vokin GBV Aconcágua

Em setembro, o Ibovespa subiu 5,03%, aos 186.340 pontos, concentrando o ganho na primeira metade do mês, quando chegou a 188 mil pontos. O motor foi a eleição: a vantagem de Lula no segundo turno, que havia chegado a oito pontos em julho, desapareceu, e várias pesquisas passaram a mostrar Flávio Bolsonaro à frente — o mês terminou com o AtlasIntel apontando 47,7% a 47,6%. Contribuiu para o movimento, a crise no Supremo, depois que um relatório da Polícia Federal revelou 51 mensagens trocadas em 21 dias entre o Ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de que ele teria editado o contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com escritório ligado à sua mulher. A desconfiança no Tribunal subiu de 46% para 56% em um mês. O dólar encerrou estável, a R$ 5,17, e os juros futuros longos caíram, movimento que reflete a expectativa de mudança de Governo.

No exterior, o petróleo, que começou setembro perto de US$ 90 por barril, voltou a superar US$ 100, chegou perto de US$ 110 em meados do mês e recuou para encerrar a US$ 98, alta de cerca de 7%. O gatilho foi a ampliação da guerra para além do Estreito de Ormuz: drones atingiram o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, que escoa até sete milhões de barris por dia e ficou duas semanas fora de operação, e os houthis tomaram uma ilha no Estreito de Bab el-Mandeb, por onde passa cerca de 12% do comércio mundial. Uma reunião entre emissários americanos e iranianos em Nova York, mediada pelo Catar, terminou sem avanço.

No dia 16, o Federal Reserve e o Copom decidiram em direções opostas. O Banco Central americano subiu os juros pela primeira vez desde 2023, em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, com Kevin Warsh, presidente do Fed, afirmando que a inflação segue muito alta e com o próprio comitê projetando, ao menos, mais uma elevação neste ano. O Treasury de dez anos fechou acima de 5% pela primeira vez desde 2023, e o de trinta anos alcançou 5,64%, maior patamar em mais de duas décadas. No Brasil, o Copom cortou a Selic de 14,00% para 13,75%, quinto corte consecutivo, apoiado na atividade em desaceleração — o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre —, ainda que o IPCA-15 de setembro tenha subido 0,70%, maior alta para o mês desde 2021, levando a inflação a 4,47% em doze meses, a um passo do teto da meta.

Nas contas públicas, o quadro piorou em plena reta final de campanha. O relatório bimestral elevou a projeção de déficit primário de 2026 de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões, a dívida bruta alcançou 82,9% do PIB em agosto e o setor público gastou R$ 774 bilhões apenas com juros em oito meses. Ao mesmo tempo, o Governo reajustou o Bolsa Família em 15%, elevou a subvenção ao diesel para R$ 2,12 por litro e lançou o Desenrola 3.0, que prevê a compra de até R$ 150 bilhões em dívidas vencidas, com deságio mínimo de 90%. Do lado das famílias, a inadimplência do consumidor bateu recorde de 6,0% em agosto.

Já em outubro, o primeiro turno trouxe a surpresa que o mercado vinha ensaiando precificar. Flávio Bolsonaro terminou o dia 4 com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula, acima de todas as pesquisas. A reação foi imediata: o EWZ, principal índice de ações brasileiras negociado em Nova York, subiu 10% no mercado estendido de domingo, depois de o Ibovespa já ter avançado 2,63% na sexta-feira anterior, aos 192.114 pontos, maior nível desde o fim de abril. Casas de análise passaram a atribuir entre 84% e 85% de probabilidade à vitória de Flávio. E, vale lembrar, que, desde a redemocratização, nenhum candidato que liderou o primeiro turno perdeu o segundo.

Mais relevante do que o placar presidencial, porém, foi a recomposição do Congresso. A direita elegeu 283 das 513 cadeiras da Câmara e 49 das 81 do Senado, com o PL quase dobrando sua bancada de senadores, de 15 para 28, e se tornando o maior partido nas duas Casas. Na prática, isso dá maioria simples confortável para aprovar leis ordinárias, mas ainda não os três quintos exigidos para emenda constitucional na Câmara, onde faltariam 25 votos — ou seja, um ajuste fiscal por via constitucional seguiria dependendo de negociação com o centro. Ainda assim, é a governabilidade que faltou nos últimos ciclos, e é, a nosso ver, a variável que mais importa para os ativos daqui em diante.

O Vokin GBV Aconcágua e o Vokin GBV Aconcágua 30 encerraram o mês com retornos de 4,94% e 4,95%, respectivamente, enquanto o Ibovespa registrou alta de 5,03%.

Uma empresa que voltamos a adquirir é a Vale. Anteriormente, a tese girava em torno do minério de ferro, principal produto da companhia. Nos últimos anos, outros dois metais ganharam relevância: o níquel e o cobre. Ambos são utilizados no setor elétrico, que cresce de forma acelerada pela demanda dos carros elétricos, dos data centers e das fontes renováveis de energia. O cobre é um bom condutor de energia, usado em cabeamento e componentes eletrônicos. Já o níquel serve, principalmente, para a produção de aço inoxidável e de baterias. Em 2025, a VBM (Vale Base Metals), que reúne o portfólio de metais excluindo o minério de ferro, representou 22% do EBITDA consolidado, e projetamos 30% até 2030.

Em 2024, a Vale vendeu 10% da VBM por US$ 2,5 bilhões, avaliando a divisão em R$ 130 bilhões. A companhia tem, hoje, valor de mercado de R$ 310 bilhões, ou R$ 400 bilhões somando a dívida financeira e os passivos ambientais.

A tese do minério de ferro segue intacta. Em 2025, a Vale vendeu 314 milhões de toneladas e deve chegar a 340 milhões em 2030, com a expansão do Sistema Norte, no Pará. O custo total por tonelada está em US$ 63 e deve recuar para US$ 60, com a expansão de baixo custo e com a queda do petróleo refletindo no frete. O preço do minério está em US$ 96 e projetamos uma queda para US$ 85, em termos reais, até 2029. Entre os fatores positivos para o preço estão a exaustão de minas antigas e a inflação dos custos de produção. Do lado negativo, destacamos a entrada em operação da mina de Simandou, na África, e a redução do consumo de aço na China.

Uma empresa com ativo real e irreplicável, geradora de caixa que compõe bem nosso portfólio de empresas.

Para os próximos meses, será importante acompanhar o segundo turno, em 25 de outubro, e os primeiros sinais sobre as propostas da equipe econômica; o desdobramento da guerra entre Estados Unidos e Irã e seus efeitos sobre o petróleo; a continuidade do aperto monetário americano e os juros longos em máximas de duas décadas; a tramitação do Orçamento de 2027 e o custo das medidas adotadas durante a campanha; e a evolução da inadimplência das famílias.

Vokin K2 Long Biased FIA

A Hypera comunicou distribuição de juros sobre capital próprio, referentes ao exercício social de 2026. O montante total bruto é de R$ 185,1 milhões, equivalente a R$ 0,26 por ação ordinária. O pagamento ocorrerá até o fim do exercício social de 2027, em data ainda a ser definida, beneficiando os acionistas inscritos na base acionária de 28 de setembro de 2026.

A Iguatemi informou que determinadas subsidiárias da companhia concluíram a venda de participações em 5 ativos imobiliários do seu portfólio ao TRX REAL ESTATE FII. Os ativos imobiliários objeto correspondem à: 36% do Iguatemi Alphaville; 10% do Iguatemi Ribeirão Preto; 10% do Iguatemi São José do Rio Preto; 35,55% do Praia de Belas; e 36% do I Fashion Outlet Novo Hamburgo. O valor total da transação é de R$ 876,1 milhões.

A Sabesp comunicou que os acionistas da EMAE aprovaram a incorporação, pela Sabesp, da totalidade das ações de emissão da EMAE, tendo como contrapartida a entrega aos acionistas da EMAE de ações ordinárias de emissão da Sabesp, com a consequente transferência da base acionária da EMAE para a Sabesp. Os acionistas da EMAE receberão 1,31 ações ordinárias de emissão da Sabesp para cada ação ordinária ou preferencial de emissão da EMAE.

A Azzas anunciou acordo de reorganização societária entre o Bloco Birman e o Bloco Jatahy. A reorganização tem por objetivo segregar os atuais negócios da Azzas em duas companhias abertas independentes e listadas no Novo Mercado da B3, com estruturas de administração e governança próprias, sendo a Arezzo&Co liderada pelo Bloco Birman e a SOMA liderada pelo Bloco Jatahy. A reorganização resultará, ainda, na constituição de uma sociedade que reunirá a marca FARM e suas extensões, cujas ações serão detidas por Arezzo&Co e SOMA, na proporção de 57,4% e 42,6%, respectivamente, com gestão e governança próprias. A Arezzo&Co concentrará as marcas e operações de Shoes & Bags, incluindo Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman, Carol Bassi, bem como Hering e suas extensões. A SOMA concentrará as marcas e operações de Animale, NV, Maria Filó e Cris Barros, Reserva e suas extensões, Oficina e Foxton.

O Bradesco comunicou o encerramento do prazo para exercício de preferência para a subscrição de ações no aumento de capital. Do total de 604,8 milhões ações emitidas, foram subscritas 402,4 milhões ações e, posteriormente, 186,3 milhões sobras de ações. Em outro comunicado, a companhia anunciou a aprovação de pagamento de juros sobre capital próprio intermediários, no valor total de R$ 3,8 bilhões, sendo R$ 0,28 por ação ordinária e R$ 0,31 por ação preferencial. O pagamento ocorrerá até 30 de abril de 2027, beneficiando os acionistas inscritos em 13 de outubro de 2026.

A Log comunicou a conclusão da transação de venda do ativo LOG Recife II ao TRX REAL ESTATE FII. O valor total da transação é de R$ 210 milhões, equivalente a R$ 4.375/m², resultando em margem bruta de 41% e TIR do projeto de 26,1%. Com a conclusão da transação, a LOG totalizou R$ 1,3 bilhão em vendas concluídas em 2026.

A JSL informou a data do pagamento dos dividendos aprovados em 22 de dezembro de 2025, no valor total de R$ 421 milhões. O pagamento será efetuado em duas parcelas iguais de R$ 0,74 por ação, sendo uma em 02 de outubro de 2026 e outra em 28 de dezembro de 2026. Em outro comunicado, a companhia também comunicou que seu conselho de administração elegeu Eduardo Cordeiro Nauck para os cargos de CFO e de DRI.

Blau e Mater Dei informaram que a Diretoria Executiva da B3 aprovou a extensão automática do prazo para enquadramento do free float das companhias até 31 de dezembro de 2027.

A Tecnisa comunicou que foi aprovado o grupamento da totalidade das ações ordinárias da companhia, na proporção de 10 ações para formar 1 ação, sem alteração do capital social da companhia. Com isso, as 73,6 milhões ações ordinárias serão grupadas em 7,3 milhões ações ordinárias.

Vokin Essencial Matterhorn CIM

O Fundo Vokin Essencial Matterhon rendeu 5,07% em setembro, ante CDI de 1,11%

Setembro teve como principal movimento global a forte abertura dos juros longos. O Treasury de dez anos voltou a superar 5% e terminou o mês em 5,29%, pressionado por preocupações fiscais e pelo risco de inflação, agravado pela alta do petróleo com a guerra no Oriente Médio. A posição vendida em T10 contribuiu com 0,71% para o fundo. Seguimos comprados em bolsa americana, sustentados pelo crescimento ainda robusto dos lucros das empresas, especialmente no setor de tecnologia – juros longos nesses níveis aumentam a taxa de desconto e representam um risco relevante para o valuation das empresas americanas, o que justifica cautela na exposição. A bolsa americana retirou 0,26%.

O Bitcoin avançou 6,4% e adicionou 0,38% ao resultado, enquanto o ouro retirou 0,27%. Em um ambiente de maior ceticismo com a trajetória fiscal das principais economias, ativos sem contraparte como esses dois acabam sendo um ponto de refúgio.

No Brasil, a disputa eleitoral se estreitou. A AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 29 de setembro mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno, com 47,6% e 47,7%. O Polymarket, na manhã de 30 de setembro, atribuía a Flávio cerca de 60% no mercado sobre o vencedor da eleição. Esses indicadores descrevem pesquisas e preços de mercado daquele momento, não uma previsão independente sobre o resultado.

Ao mesmo tempo, inflação e atividade perderam força, permitindo ao Banco Central reduzir a Selic para 13,75% ao ano. Nesse ambiente, o Ibovespa avançou 5,03% em setembro, enquanto a estratégia Long Only Brasil no Fundo subiu 5,4% e contribuiu com 0,65% para o resultado do fundo.

O principal destaque local, entretanto, foi o Long & Short, que avançou 5,2% no mês e contribuiu com 2,37% para o Fundo, constituindo a principal fonte de alfa no período.

Na ponta comprada, os principais destaques foram Júlio Simões (39,8%), Petz (28,2%), Banco BMG (18,4%) e Fleury (15,8%). Na ponta vendida, Natura (−22,8%), Plano & Plano (−6,3%) e Braskem (−2,1%). Pesaram as posições vendidas em Auren (16,4%) e Localiza (17,2%).

No book global, seguimos comprados em ações americanas, com hedge parcial em T10. Seguimos comprados em Bitcoin e zerados em ouro. Localmente, seguimos comprados em bolsa Brasil, aplicados em DI e, na contramão, seguimos hedgeados no câmbio (comprado dólar contra real). Na carteira de ações L&S, seguimos comprados em empresas relativamente defensivas em cenário eleitoral avesso ou em cenário de agravamento dos conflitos no Oriente Médio. As principais ações compradas são BMGB4, JHSF3, SEER3, FLRY3 e PETR4. Os principais papéis vendidos são ORVR3, AURE3, KEPL3, NATU3 e EVEN3

Vokin Everest FIC FIM

Comentários dos Gestores

O tema central dos mercados globais no mês de setembro foi a continuidade na elevação das taxas de juros futuros nos Estados Unidos, com o título de 10 anos atingindo níveis superiores a 5,20%, maior patamar desde 2002, influenciado por uma combinação de favores como persistência inflacionária, custos de energia elevados em função do conflito no Irã, atividade econômica robusta, preocupações com o déficit fiscal no país e a continuidade nos investimentos em infraestrutura de Inteligência Artificial com elevada demanda por capital. O movimento acabou impactando as curvas de juros globais, tanto de economias desenvolvidas como emergentes, aumentando o problema de refinanciamento para uma série de países com situação fiscal frágil, assim como piorando o cenário para ativos de risco. Outro impacto foi no fortalecimento do dólar frente à uma cesta de moedas globais medida pelo índice DXY, e o índice S&P500 teve uma pequena desvalorização após uma sequência de meses em alta.

No mês, também tivemos a primeira elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve dos últimos três anos, alta de 0,25 ponto percentual para o intervalo entre 3,75% e 4,00% a.a., decisão unânime e dentro do esperado pelo mercado, sendo destacado no comunicado o crescimento e consumo resilientes, mercado de trabalho aquecido e inflação ainda elevada. A maioria dos membros do Comitê de Política Monetária indicou a necessidade de mais uma elevação na taxa até o final do ano e com manutenção para 2027.

No Brasil, o ambiente foi dominado pela disputa eleitoral, com a melhora nas pesquisas do candidato Flávio Bolsonaro impactando positivamente os ativos em função da perspectiva de que a troca de Governo traga algum ajuste fiscal capaz de reduzir o déficit do Governo Federal. Mesmo com cenário internacional de maior aversão ao risco, o Ibovespa se valorizou +5,03%, influenciado pelo fluxo positivo de investidores estrangeiros; o dólar ficou praticamente estável no mês, com desvalorização -0,19% frente ao real; e houve fechamento nas curvas de juros reais, representando alta de +3,15% no mês para o IMA-B.

O Banco Central do Brasil realizou o quinto corte consecutivo na taxa Selic em 0,25 p.p., para 13,75% a.a., trazendo como principal justificativa no comunicado o processo de desaceleração econômica, apesar de não dar sinalização sobre novos ajustes. As expectativas de mercado indicam apenas mais um corte de 0,25 p.p. até o final do ano.

Os indicadores econômicos divulgados durante o mês confirmam a situação difícil do país, com inflação ainda relativamente alta e perto do teto da meta no acumulado dos últimos 12 meses, desaceleração da atividade em diversos setores, elevação no nível de inadimplência das famílias e piora nas contas públicas com a continuidade de anúncios de benefícios pelo governo, como subsídio aos combustíveis e reajuste do Bolsa Família. O mês também ficou marcado pela crise institucional sem precedentes envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal em meio a divulgações de envolvimento no caso do Banco Master.

O fundo Everest encerrou o mês com alta de +1,86%, ante +1,08% do CDI, acumulando no ano alta de +7,78% ante +10,51% do CDI. Os fundos multimercados macro tiveram outro mês de bom desempenho impactados principalmente pelas posições em juros e renda variável doméstico, sendo que também contribuiu para o desempenho positivo a posição direcional em juro real (IMA-B) e dos fundos com exposição direcional em renda variável. Os melhores desempenhos no mês vieram do fundo de ações long & short Ibiúna STLS (+6,27%), do long only Vokin GBV Aconcágua (+4,95%) e do long biased SPX Falcon (+3,76%). Os piores desempenhos vieram dos multimercados macro Verde (+0,16%), Itaú Optimus (+0,67%) e Absolute Vertex (+0,73%).  Não foram realizadas alterações na carteira em setembro.

Já em outubro, o resultado das eleições mostrou um significativo avanço dos candidatos de direita no Congresso Nacional, garantindo representatividade importante na quantidade de cadeiras, assim como nos Governos Estaduais e, principalmente, na vitória do primeiro turno do candidato Flávio Bolsonaro sobre Lula. Ainda que a disputa deva ser bastante acirrada até o segundo turno, em 25 de outubro, principalmente em função da pequena margem de diferença, a futura composição do Congresso já sinaliza uma menor propensão à continuidade de aprovação de medidas que piorem as contas públicas, impactando no fechamento das curvas de juros futuros e beneficiando os ativos de risco.

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