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Carta 257Junho 2026

Comentário do gestor

Estimados coinvestidores,

Chegamos ao meio do ano de 2026 com a Bolsa Brasileira como a mais barata do mundo, negociando em um múltiplo Preço/Lucro de 8,3, isto é, empresas valendo 8,3 vezes o lucro anual. Este patamar é bem inferior à média histórica, de 12 vezes, e muito inferior à média global, que, hoje, está em 15,9 vezes. Dentre os mercados emergentes a média, hoje, está em 11,9 vezes.

Neste primeiro semestre, chegamos a estar com valorizações acima de 10% nas cotas de nossos fundos de ações, mas terminamos junho no menor patamar do ano, com quedas de mais de 7%.

As oscilações e a volatilidade do mercado costumam ser maiores em períodos pré-eleitorais no Brasil.

Ações de grandes empresas tiveram quedas fortes neste primeiro semestre. Como exemplos, podemos citar CSN, com -48,3%; Magazine Luiza, com -47,2%; MRV com, -32,2%; e Cosan, com -30,5%.

Algumas empresas menores chegaram a ter desvalorização de mais de 60%, mas, felizmente, não temos nenhuma delas em carteira.

Dentre as principais ações da Bovespa, uma que teve queda forte foi AZZA3, da empresa AZZAS 2154, conglomerado de moda brasileiro, resultante da fusão entre Arezzo (donas das marcas AREZZO, SHULTZ, Ana Capri, Vicenza, Alexandre Birman, RESERVA e Oficina Reserva) com o Grupo Soma (dono das marcas FARM RIO, ANIMALE, NV, Maria Filó, Cris Barros e HERING). A queda forte destas ações (28,9% no primeiro semestre) fez com que aproveitássemos e comprássemos novamente ações da empresa. Conhecemos e acompanhamos os números da companhia há bastante tempo, entendemos que a queda atual é mais pelo desentendimento entre os principais sócios, mas isso não deverá afetar a operação e os resultados dos negócios como afetou o preço da ação. Hoje, a empresa está valendo 4,4 vezes o lucro dos últimos doze meses.

Das empresas que temos em carteira, muitas negociam abaixo de 8 vezes lucro e muitas estão valendo menos do que seus patrimônios líquidos, uma clara sinalização de valor que só aparece em momentos como este, quando juros altos fazem com que faltem compradores no mercado de ações. Pelo valor justo das ações de nossos valuations, nossa carteira vale, hoje, no agregado de todas as posições, 60% mais do que os preços atuais indicam.

O Brasil está com a taxa básica de juros entre as mais altas do mundo e os investidores brasileiros seguem direcionando investimentos para a renda fixa em detrimento de investimentos em renda variável.

Por que entendemos que devemos seguir investindo em ações de empresas, mesmo com juros altos?

Primeiro, porque as empresas estão realmente muito baratas, justamente pelos juros altos.

Segundo, porque nossa mentalidade é de investidores de longo prazo e não de especuladores de curto prazo. Até porque ninguém sabe fazer timing no mercado, ou seja, saber a hora certa de entrar e sair.

E, por último e mais importante, porque são as empresas que geram riqueza em qualquer lugar do mundo.

Mesmo em algumas empresas alavancadas que sofrem com juros mais altos em momentos como este no Brasil, podemos ver que os resultados operacionais destas empresas são 3, 4 ou 5 vezes maiores do que os juros pagos, ou seja, o serviço da dívida, mesmo mais caro, é muito menor do que o resultado operacional das empresas. E estamos falando de empresas, ativos reais, que se protegem da inflação ao longo do tempo, gerando resultados operacionais que suportam juros mais altos.

Quem investe em renda fixa em títulos públicos brasileiros, por outro lado, está emprestando dinheiro para o Governo, que está com déficit primário, ou seja, antes mesmo do pagamento de juros. Se o Governo fosse uma empresa, é como se o resultado operacional estivesse negativo antes mesmo do pagamento dos juros e, assim, a dívida pública só cresce.  

Este juro alto está fazendo a dívida pública caminhar rapidamente para 100% do PIB, uma situação insustentável no curto e médio prazo.

Entendemos, assim, que é melhor estar com parte do capital alocado em um portfólio de ações de boas empresas, algumas de classe mundial, outras muito descontadas, do que confiar 100% em títulos públicos brasileiros, como estão fazendo muitos brasileiros. 

O tema mais importante para ser discutido numa campanha eleitoral no Brasil seria o controle do déficit público, mas, infelizmente, a maior parte da população não entende a importância deste assunto, mesmo com tantos brasileiros endividados, com contas em atraso e pagando juros mais altos justamente por causa desse descontrole fiscal do Governo.

Nós não controlamos o déficit fiscal do Governo, tão pouco a taxa de juros, mas sabemos que as empresas em que investimos geram resultados operacionais e lucros ao longo do tempo que justificam mantermos as posições. Ao longo do tempo, os preços se ajustam e o valor das empresas aparecerá refletido nos preços das ações.

Falando um pouco de empresas e o que elas estão fazendo, no dia 1º de julho, a Suzano, uma das principais empresas de nossas carteiras e maior empresa de celulose de mercado do mundo, comunicou a conclusão da aquisição de 51% do capital da FarmPro Tissue Holdings, da Kimberly-Clark Corporation, operação com 22 fábricas, 40 marcas em 14 países e com clientes em 70 países, em 5 continentes. Essa joint venture entre Suzano e Kimberly-Clark na produção de tissue(papel higiênico, papel toalha, guardanapos, lenços de papel, lenços umedecidos etc.) é um passo importante na internacionalização da Suzano, empresa que já tem maior parte da sua receita em dólar.

Sempre preferimos falar das empresas em que estamos investindo e o que elas estão fazendo do que dos preços das ações. A Suzano vem crescendo no mundo e o preço das suas ações vem caindo neste ano (-21% no primeiro semestre). Se o Brasil seguir com o déficit fiscal como está, o dólar pode se valorizar muito frente ao Real, e a Suzano poderá ser uma das empresas mais beneficiadas no Brasil. É uma empresa brasileira líder em custos no mundo e uma posição muito confortável de se ter em carteira.

Estamos todos investindo juntos, atentos e fazendo o melhor para navegar nestes momentos de juros altos (vento contra).

Acreditamos fortemente que dias melhores virão, sabendo que paciência e persistência são duas das principais virtudes dos bons investidores.

Por último, mas não menos importante, aproveito para comunicar que estamos usando a inteligência artificial para aprofundar as nossas análises qualitativas das empresas.

É impressionante o nível de informações que encontramos tanto no mercado local quanto no mercado mundial. Com o uso da inteligência artificial, poderemos aprofundar ainda mais o conhecimento de todas as empresas que analisamos e acompanhamos.

Temos feito reuniões semanais após cada análise e estudo com a ajuda da inteligência artificial, uma empresa por semana, o que estamos chamando de “mergulho profundo”. Importante comentar que, sem o conhecimento prévio que temos das empresas, essas análises não seriam nem de perto tão profundas e que saber fazer as perguntas certas e filtrar as respostas é algo que só se consegue com o conhecimento prévio de cada empresa.

No que está no nosso controle, temos feito o melhor possível para acertar nas posições certas.

Desejamos um melhor mês de julho para todos nós.

Obrigado pela paciência que nos é exigida nessas horas e por seguirem investindo junto conosco!

Economia

Independência ou morte custo.

A arquitetura institucional das autoridades monetárias globais não nasce pronta; ela é o subproduto de um processo contínuo de tentativa, erro e calibração macroeconômica. No Brasil, o debate sobre o papel do Banco Central (BCB) e sua relação com o Tesouro Nacional (TN) ganhou um capítulo definitivo com a Proposta de Emenda à Constituição nº65/2023 (PEC 65/2023). Para compreender o alcance dessa proposta, que visa conferir autonomia financeira e orçamentária plena à autarquia, é necessário retroceder pelas camadas legislativas que moldaram o fluxo financeiro do Estado brasileiro nas últimas décadas. Historicamente, a relação entre o BCB e o TN sempre foi marcada por um cordão umbilical contábil complexo. Sob a égide da Medida Provisória nº 2.179-36/2001, o arcabouço legal determinava uma equalização semestral absoluta: qualquer lucro do BCB era transferido em dinheiro para a Conta Única do Tesouro, enquanto os prejuízos eram cobertos pela emissão de títulos públicos federais direcionados à carteira da autoridade monetária. Esse modelo funcionava sem grandes fricções em um ambiente de baixo estoque de ativos externos (as chamadas reservas cambiais). Contudo, a partir de 2006, com o início do acúmulo massivo de reservas internacionais pelo Brasil, a volatilidade cambial passou a ditar o ritmo das contas públicas. Quando o câmbio sofria forte desvalorização, gerava-se um ganho contábil bilionário no balanço do BCB. Esse lucro cambial “artificial”, por não decorrer de arrecadação real, era repassado ao Tesouro, que muitas vezes utilizava os recursos para inflar o resultado fiscal ou amortizar dívida de curto prazo, gerando um incentivo perverso que colidia com as metas de inflação. Em contrapartida, períodos de valorização do Real impunham prejuízos severos ao BCB, forçando o Tesouro a emitir montanhas de dívida para recompor o patrimônio da instituição. Essa dinâmica inflou a carteira de títulos do BCB (alcançando o patamar de R$ 2,8 trilhões em 2025) e alimentou divergências metodológicas sobre sua contabilização. Pela ótica do BCB, esses títulos não entram na medida da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), uma visão contrária ao que afirma o FMI. E isso gera uma discrepância estatística que eleva a percepção de risco do endividamento brasileiro de 80% do PIB para 95%. Outro efeito colateral é o rendimento dos recursos que ficam na Conta Única do Tesouro, guardada no BCB, vinculados à taxa Selic. Para se ter uma ideia dessa magnitude, somente em 2025 essa remuneração chegou a R$ 181 bilhões (1,43% do PIB), maquiando positivamente o resultado nominal do setor público. A primeira tentativa de mitigar essa contaminação ocorreu com a Lei nº 11.803/2008, que segrega o resultado operacional (juros e taxas) do resultado cambial (derivados e reservas), destinando o último exclusivamente para a amortização de dívida. Mas o avanço seguinte, com a Lei nº 13.820/2019, foi ainda mais cirúrgico ao extinguir a equalização diária entre BCB e TN e criando a “Reserva de Resultado” – uma espécie de colchão de liquidez que fica retido no próprio balanço do BCB. Esse mecanismo de amortecimento mútuo permitiu que os lucros, em momentos de dólar alto (como os R$ 242,8 bilhões de 2024), ficassem retidos na instituição para cobrir prejuízos quando o dólar está baixo, como ocorrido em 2023 e 2025. A autonomia patrimonial, conquistada em 2019, pavimentou o caminho para a aprovação da Lei Complementar nº 179/2021, que concedeu a independência operacional e institucional ao BCB, estabelecendo mandatos fixos e descasados do ciclo político para a diretoria colegiada. Sem o colchão financeiro de 2019, a autonomia do BCB em 2021 seria inócua, pois o Executivo ainda poderia sufocar a autoridade monetária exigindo aportes ou condicionando socorros financeiros a barganhas políticas. É nesse cenário que a PEC 65/2023 se apresenta como o fechamento lógico desse ciclo. A proposta visa transformar o BCB de uma autarquia para uma corporação de direito público dotada de orçamento próprio, desvinculado das amarras do Orçamento Geral da União e de medidas fiscais como o teto de gastos ou o arcabouço fiscal. O autofinanciamento se daria pelas receitas de suas operações e pela cobrança de taxas de supervisão bancária. O ponto de maior inflexão reside na transição de pessoal: os novos servidores seriam contratados sob o regime da CLT, permitindo uma estrutura de carreiras flexível e salários competitivos com o ecossistema de tecnologia e finanças privadas. A experiência internacional corrobora essa busca por blindagem orçamentária, embora com nuances. O Federal Reserve (FED) dos EUA goza de independência orçamentária estrita, aprovando suas próprias despesas por meio de seu Conselho de Governadores, sem interferência do Congresso, e revertendo os lucros excedentes ao Tesouro Americano. O Banco Central Europeu (ECB), por sua natureza supranacional, detém o arranjo mais independente do globo, imune a pressões de governos soberanos individuais e financiado por taxas diretas do sistema bancário. Com um pouco menos de autonomia orçamentária, o BoJ, apesar de ter independência operacional, precisa aprovar seu orçamento junto ao Ministério das Finanças, uma herança regulatória da década de 1990. Os defensores da PEC 65/2023 argumentam que a medida estanca o atual “apagão tecnológico e de pessoal” sofrido pelo BCB, impedindo que governos utilizem o contingenciamento de verbas ou o congelamento salarial como ferramentas de retaliação política velada contra decisões de juros altos. Além disso, citam que esse seria um passo para aproximar o Brasil das melhores práticas internacionais. Por outro lado, os críticos, e dentre eles o sindicato dos funcionários, alertam para o risco de “captura institucional” pelo setor privado, onde o regulador adota a lógica salarial e operacional dos próprios bancos que deve fiscalizar, além de apontarem uma perda de controle democrático sobre recursos bilionários sem o crivo anual do Congresso Nacional. Em suma, a PEC 65/2023 não deve ser vista como um evento isolado, mas o desfecho de uma longa transição macroeconômica. Ao retirar a máquina administrativa do BCB do Orçamento da União, o Brasil busca alinhar sua autoridade monetária aos padrões de eficiência do FED e do ECB, consolidando a separação definitiva entre o ciclo político-fiscal e a estabilidade da moeda.

Estratégia Vokin GBV Aconcágua

Em junho, o Ibovespa voltou a cair, ainda pressionado pela continuidade da saída de recursos de investidores estrangeiros da B3. Desde meados de abril, esses investidores retiraram, aproximadamente, metade dos recursos que haviam trazido para a bolsa brasileira no ano. A bolsa brasileira parece cada vez mais dependente do capital externo e as distorções nos preços das ações parecem cada vez maiores.

No exterior, a principal notícia do mês foi o acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra de quase quatro meses. Anunciado por Trump em meados de junho e assinado no dia 17, o memorando de entendimento prevê o fim imediato das operações militares em todas as frentes, a retirada das sanções americanas ao petróleo iraniano, a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias e a normalização do fluxo de petróleo, gás e fertilizantes. Os temas mais sensíveis da negociação — como o enriquecimento de urânio, os estoques nucleares iranianos e os mecanismos de inspeção — ficaram para as próximas rodadas. Com o acordo, o petróleo devolveu boa parte da alta acumulada durante o conflito.

Nos Estados Unidos, os indicadores econômicos seguiram fortes. Na estreia do novo Presidente do BC americano, Kevin Warsh, a taxa básica foi mantida, mas a sinalização da maioria dos dirigentes foi de possível alta ainda neste ano. Ainda no campo externo, os Estados Unidos propuseram, no âmbito da investigação da Seção 301, uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

Na política doméstica, o destaque negativo ficou por conta das chamadas pautas-bomba em tramitação no Congresso, cujo impacto potencial supera R$ 270 bilhões pelas contas da equipe econômica — Fazenda e Planejamento estimam R$ 111 bilhões por ano apenas para nove propostas. O Senado aprovou o projeto de renegociação das dívidas rurais, com custo estimado pela Fazenda em cerca de R$ 140 bilhões ao longo de treze anos, e seguem no radar a PEC que garante aposentadoria integral para agentes de saúde (impacto de R$ 100 bilhões), o piso salarial nacional para médicos (R$ 47 bilhões), a ampliação dos repasses ao Fundo de Participação dos Municípios e o aumento dos limites do Simples Nacional e do MEI. Tudo isso em um contexto em que o governo, mesmo após ampliar para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de gastos do Orçamento para acomodar a forte alta das despesas obrigatórias, segue projetando déficit primário para 2026 e dependendo de receitas extraordinárias e exclusões do arcabouço para sustentar a meta formal de resultado.

Em paralelo, o Governo continuou lançando programas fiscais e de crédito voltados a diferentes segmentos do eleitorado, com vistas às eleições. Entre eles, destacam-se a renegociação de dívidas de microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, com descontos de até 70% e expectativa de renegociar R$ 12,4 bilhões; o projeto que amplia o limite de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028; e o Desenrola Adimplentes e o Fies Empreendedor, que devem mobilizar cerca de R$ 4 bilhões do Tesouro Nacional em linhas de crédito subsidiadas. Os estímulos parecem estar surtindo efeito: o PIB continua crescendo de forma mais acelerada temporariamente e Lula, que em maio chegou a aparecer atrás de Flávio Bolsonaro no agregado de pesquisas, voltou a liderar e venceu nas principais simulações de segundo turno divulgadas no mês.

No campo da oposição, o mês foi de desgaste. A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro levou a cúpula do PL a atuar para evitar danos permanentes a sua candidatura presidencial. Além disso, declarações de Flávio ao SBT News geraram dúvidas sobre a real convicção do senador em implementar uma agenda de controle fiscal. Ele afirmou que não pretende acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação, não pretende mudar as vinculações do salário-mínimo ou realizar reforma da Previdência.

O Vokin GBV Aconcágua e o Vokin GBV Aconcágua 30 encerraram o mês com retornos de -4,46% e -4,45%, respectivamente, enquanto o Ibovespa registrou queda de -1,01%.

Neste mês, falaremos um pouco sobre nossa posição em Pague Menos. A companhia é uma das maiores redes do varejo farmacêutico brasileiro, com cerca de 1.700 lojas, e líder nas regiões Norte e Nordeste, onde detém, aproximadamente, 20% de participação de mercado no Nordeste. Quando escrevemos sobre a empresa, na carta de fevereiro de 2025, destacamos o processo de ajustes e desalavancagem iniciado após a aquisição da Extrafarma, em 2022, e a chegada de Jonas Marques, primeiro CEO de fora da família fundadora, que elencou dezenove frentes de ação em temas como atendimento, precificação, processos e tecnologia. De lá para cá, a execução seguiu entregando: foram oito trimestres de crescimento de dois dígitos, e a venda média mensal atingiu R$ 818 mil por loja. A companhia ganhou participação de mercado em todas as regiões do país — 1,7 ponto percentual desde 2022, alcançando 6,7% —, com avanço puxado por volume, e não por preço ou abertura de lojas. O EBITDA (ex-IFRS16) ajustado praticamente dobrou, enquanto o lucro líquido ajustado mais do que quadruplicou. Projetamos que a margem atinja 6,2% em 2026.

Apesar dos bons resultados, as ações tiveram um ano de fortes oscilações, muito ligadas aos desdobramentos dos medicamentos GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. A categoria, que há quatro anos tinha representatividade praticamente nula, já responde por cerca de 10% das vendas da rede. As projeções apontam para continuidade do crescimento em ritmo forte. Esse entusiasmo impulsionou a alta das ações das farmácias no início do ano. Na sequência, porém, o pêndulo virou: a categoria carrega margens menores e consome mais capital de giro, com prazos de recebimento mais longos e estoques maiores. A chegada dos genéricos deve derrubar o preço médio dos tratamentos, e o mercado tem dúvidas se o lucro bruto por caixa deve aumentar, mesmo que os genéricos entreguem mais margem para as farmácias. Com a piora do humor, as ações caíram mais de 30% entre meados de abril e meados de junho.

Vemos os dois movimentos como exagerados. Para as farmácias, o GLP-1 não é nem a revolução precificada na alta, nem a ameaça precificada na queda. O centro da nossa tese, porém, continua sendo o turnaround operacional, que segue avançando. Aos preços atuais, a Pague Menos negocia a cerca de 4,2 vezes EV/EBITDA (pré IFRS-16) e abaixo do valor patrimonial, patamar que consideramos excessivamente descontado para uma companhia que melhora resultados no ritmo atual — a própria empresa parece concordar, tendo anunciado, em junho, um novo programa de recompra de ações. Aproveitamos a queda para aumentar nossa posição.

Para os próximos meses, será importante acompanhar a implementação do acordo entre Estados Unidos e Irã e o comportamento do petróleo, as negociações em torno das tarifas americanas sobre produtos brasileiros, a tramitação das pautas-bomba no Congresso e as novas medidas de estímulo do Governo, bem como a evolução das pesquisas e das principais candidaturas à Presidência da República.

Vokin K2 Long Biased FIA

A Pague Menos anunciou a realização de um novo programa de recompra de ações, que terá duração até 16 de dezembro e 2026. O número máximo de ações a serem adquiridas será de até 7 milhões, representativas de até 2,31% do total de ações em circulação.

A Azzas informou que contratou o Banco Morgan Stanley S.A. para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca “Farm Rio”, com o objetivo de destravar valor dessa marca. A companhia ressaltou que, até o momento deste comunicado, não havia qualquer decisão tomada, operação aprovada, estrutura definida, proposta formal, instrumento celebrante vinculado ou definição acerca da implementação de qualquer eventual operação.

A Blau comunicou a aprovação da emissão de notas comerciais privadas, sendo o credor o Banco do Brasil, no valor total de R$ 350 milhões, com prazo de vencimento de 24 meses e remuneração de CDI + 0,97% a.a. Em outro comunicado, a empresa informou a aprovação da segunda emissão de notas comerciais escriturais, em série única, no valor total de R$ 250 milhões, com prazo de vencimento de 24 meses e remuneração de CDI + 1,05% a.a.

A Hypera anunciou distribuição de juros sobre capital próprio, referente ao exercício social que se encerrará em 31 de dezembro de 2026. O montante total é de R$ 185,1 milhões, representando o valor bruto de R$ 0,26 por ação ordinária, com o pagamento ocorrendo até o final do exercício social de 2027 e beneficiando os acionistas registrados em 26 de junho de 2026.

A Iguatemi anunciou o encerramento do programa de recompra de ações iniciado em fevereiro de 2025 e o início de um novo programa de recompra de ações. Através do novo programa, a companhia poderá adquirir até R$ 60,2 milhões em Units IGTI11, ações ordinárias e/ou ações preferenciais da companhia, valor que corresponderia cerca de 2,4 milhões de Units IGTI11. As negociações poderão ser realizadas pelo prazo de até 18 meses. Em outro comunicado, a empresa informou que sua subsidiária integral Iguatemi Empresa de Shopping Centers S.A. concluiu a oferta pública de CRIs, emitidos pela Opea Securitizadora, representando uma captação no valor de R$ 535 milhões.

O Bradesco aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio intermediários, no valor total de R$ 3,5 bilhões. O pagamento ocorrerá até 29 de janeiro de 2027 pelo valor líquido de R$ 0,26 por ação ordinária e R$ 0,28 por ação preferencial, beneficiando os acionistas inscritos em 03 de julho de 2026.

A Log informou a aprovação do pagamento de R$ 250 milhões, a título de dividendos intermediários. O valor por ação ordinária será de R$ 2,86, com o pagamento ocorrendo em 01 de julho de 2026 e beneficiando os acionistas presentes na base acionária de 11 de junho de 2026.

O Mater Dei anunciou um novo programa de recompra de ações de emissão da companhia. A quantidade de ações a ser adquirida estará limitada a 9,3 milhões ações ordinárias, que representam 2,79% das ações totais emitidas pela companhia e 16,11% das ações em circulação no mercado. O programa se iniciou em 1 de junho de 2026 e tem prazo de 18 meses.

O Grupo Mateus tomou conhecimento de Auto de Infração lavrado pela Receita Federal contra uma sociedade controlada pela companhia, a Armazém Mateus S.A., no qual a Receita questiona, em relação aos exercícios sociais de 2022 e 2023, majoritariamente as exclusões de créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O montante total do Auto é de R$ 1,2 bilhões. Com base na avaliação preliminar realizada pela companhia, a contingência foi classificada como perda possível.

A Tecnisa comunicou a consumação da venda de quotas de titularidade da companhia, correspondentes à participação de 26,09% do capital socia da Winsdor Investimentos Imobiliários Ltda., para o BTGI Quartzo Participações S.A. Após a concretização das operações, a companhia passou a ser titular de quotas representativas de 26,41% do capital social da Windsor, sociedade que desenvolve o empreendimento imobiliário Jardim das Perdizes.

Vokin Everest FIC FIM

Comentários dos Gestores

O mês de junho foi marcado por alguns importantes eventos globais e com impactos diversos nas classes de ativos. Pode-se considerar como mais relevante o avanço nas negociações para um acordo no conflito entre Estados Unidos e Irã, culminando na assinatura de um memorando preliminar e na reabertura gradual do Estreito de Ormuz. Ainda que existam pontos em aberto para a assinatura do documento final, já houve aumento no trânsito pelo estreito, o que impactou diretamente na queda no preço do petróleo, que voltou próximo aos patamares anteriores ao conflito, e ajudou a dissipar temores de pressões inflacionárias adicionais em função de uma alta prolongada do petróleo.

Outro evento importante foi a primeira reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central dos Estados Unidos sob a presidência de Kevin Warsh. Apesar da decisão pela manutenção da taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ter vindo em linha com o esperado pelo mercado, houve uma mudança considerável no comunicado pós-reunião, trazendo agora uma linguagem muito mais suscinta e retirando o viés de novas movimentações. No painel de projeções dos membros do Comitê também houve mudança de postura, agora com nove membros sinalizando necessidade de, ao menos, uma alta até o final do ano em função da persistência inflacionária e mercado de trabalho aquecido; oito membros projetando manutenção; e um membro indicando um corte, sendo que o próprio Kevin Warsh não registrou sua projeção e indicou uma possível mudança no formato de comunicação do Banco Central. A perspectiva que, antes, era de manutenção da taxa de juros para o ano, rapidamente mudou para um viés de alta e trazendo impacto direto nos trechos mais curtos da curva de juros futuros e na valorização do dólar. Também foi marcante no mês a abertura de capital da SpaceX na Nasdaq, a maior da história, deixando a empresa entre as maiores do país por valor de mercado já em sua estreia, mostrando a forte demanda por ativos de tecnologia.

No Brasil, ocorreu percepção similar ao ocorrido nos Estados Unidos com relação à reunião do Copom, em que, apesar da decisão ter vindo em linha com o esperado pelo mercado – neste caso, um corte de 0,25 p.p. levando a taxa Selic para 14,25% ao ano -, a surpresa ficou por conta da mudança de postura no comunicado, indicando um viés mais leniente com o cenário inflacionário e deixando em aberto possível novo corte mesmo com elevação da projeção de inflação para este ano. As projeções de mercado indicam inflação, medida pelo IPCA, encerrando o ano em 5,33% e com a taxa Selic em 14,00% a.a.

Com um ambiente de possível alta de juros nos Estados Unidos fortalecendo o dólar, pressões inflacionárias internas em função dos fortes estímulos fiscais trazidos pelo Governo – apesar da política monetária em patamares restritivos por um período prolongado -, tivemos um movimento de aversão ao risco nos ativos domésticos. O Ibovespa apresentou o quarto mês seguido de desvalorização, encerrando junho com queda de -1,01%, o dólar se valorizou +2,49% frente ao real e houve abertura nas curvas de juros reais, representando queda de -1,04% no mês para o IMA-B.

O fundo Everest encerrou o mês com alta de +0,15%, ante +1,12% do CDI, acumulando, nos últimos 12 meses, alta de +10,68% ante +14,78% do CDI. Os fundos multimercados macro apresentaram bastante dispersão entre seus resultados, sendo que também contribuiu para o desempenho abaixo do CDI do Everest, no mês, a posição direcional em juros reais (IMA-B). Os melhores desempenhos no mês vieram dos fundos multimercado macro SPX Nimitz (+2,16%), Genoa Radar (1,74%) e Kinea Atlas (+1,74%). Os piores desempenhos vieram do fundo de ações long only Vokin GBV Aconcágua (-4,45%), do multimercado macro Kapitalo Zeta (-1,39%) e do fundo indexado ao IMA-B (-1,06%).

Não foram feitas alterações na carteira durante o mês.

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