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Carta 254Março 2026

Comentário do gestor

Prezados Coinvestidores,

Completamos 5 semanas desde o início dos ataques americanos e israelenses ao Irã, em 28/02/2026.

Nesse intervalo, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, atacou países vizinhos e bases militares norte-americanas no Oriente Médio, escolheu Mojtaba Khamenei, filho de 56 anos do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país, e mantém lançamento de mísseis mesmo após o presidente dos EUA ter dito, ainda em 9 de março, que a guerra estava “praticamente encerrada”.

O que tem sido catalizador para os preços das ações ao redor do mundo são as notícias da guerra, a alta do preço do petróleo e consequentes riscos de juros mais altos e desaceleração da economia.

O petróleo sobe mais de 50% desde o início da guerra, enquanto diversos ativos e bolsas globais perdem valor.

Em março, o preço do Ouro recuou 14%, S&P 500 recuou 5,1%, Nikkei (bolsa japonesa) recuou 8,9%, e todas demais bolsas recuam ao redor do mundo.  

O Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, recuou apenas 0,70% no mês, muito embora, no pior momento, chegou a estar recuando 6,65%, em 20 de março.

A Petrobras salvou o índice no mês, tendo tido alta de 23,75%, impulsionada pela disparada do petróleo.

Dentre os bancos, Banco do Brasil recuou 14,43%; Bradesco recuou 9,28%; e Itaú, 6,25%.

No setor imobiliário, MRV recuou 23,14%; Direcional, 18,50%. No setor de varejo, Vivara recuou 16,82% e no setor de commodities, CSN recuou 26,57%, como alguns exemplos.

A maior preocupação econômica do momento é a alta do preço do petróleo ocasionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passavam 13 milhões de barris de petróleo por dia, ao redor de 1/3 de todo petróleo transportado por navios no mundo.

O fluxo está interrompido, afetando, especialmente, os países que dependem desse petróleo, o que não é o caso dos Estados Unidos, que é autossuficiente.

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou: “Teremos 50 dias de preços (de petróleo) mais altos, por 50 anos sem armas nucleares no Irã.”

E Donald Trump, Presidente americano, que hora diz uma coisa, ora diz outra, depois de ter dito que estavam muito perto de um acordo, em pronunciamento televisionado em 1º de abril afirmou: “Estamos no caminho certo para concluir os objetivos militares dos EUA muito em breve.”

Afirmou mais: “Comprem petróleo dos Estados Unidos da América, temos bastante. Criem alguma coragem tardia, deveriam ter feito isso antes, vão para o Estreito e simplesmente tomem, protejam, usem para vocês mesmos, o Irã foi essencialmente dizimado.”

Como dissemos mês passado, uma guerra é fácil de começar e difícil de terminar. Se o objetivo americano era evitar que o Irã tenha uma bomba atômica, quando terá certeza de ter atingido esse objetivo? Se o objetivo era acabar com a República Teocrática Islâmica, mudando o regime político, como se dará isto?

Trump sabe que essa guerra não pode se estender por muito tempo, sob pena de desgastá-lo, inclusive, para as eleições de meio termo nos Estados Unidos deste ano. Ou ele encerra a guerra declarando vitória, mesmo sem ter atingido todos os objetivos, ou estará sujeito a uma grande derrota nas urnas, já que sua popularidade está sendo afetada pelo aumento dos preços dos combustíveis e pela depreciação de ativos, num país em que a sensação de riqueza está muito ligada ao preço dos ativos.

Enquanto isto, o Brasil segue recebendo fluxo estrangeiro, especialmente para ações da primeira linha e mais líquidas.

Somente em março houve entrada de R$ 11,6 bilhões, resultando em um fluxo positivo acumulado de R$ 53,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o melhor trimestre desde o 1T22, quando tivemos entrada de R$ 65,3 bilhões em recursos internacionais.

Todo esse recurso entra em ações de maior liquidez, já que empresas de menor capitalização nem tem como receber tanto capital em pouco tempo sem uma mudança significativa nos seus preços.

O índice Small Caps, de ações de menor liquidez da Bolsa brasileira, está no patamar mais descontado, em relação ao Ibovespa, dos últimos 17 anos. E quando essas ações começam a valorizar, a valorização é muito rápida.  

O Banco Central do Brasil iniciou, em março, o ciclo de corte de juros, de 15% para 14,75%. A próxima reunião do COPOM será no final de abril, quando esperamos novos cortes.   

Em março, os fundos multimercados tiveram o segundo pior mês desde 1990. Estavam comprados acreditando no fechamento da curva de juros em muitos países, e o que aconteceu foi uma forte reversão. Alguns fundos multimercados tiveram quedas acima de 10% no mês.

Dentre os fundos de ações, a grande maioria ficou atrás do Ibovespa, especialmente pela grande participação de Petrobras no índice Ibovespa.

No acumulado do ano, apesar de estarmos bem atrás do Ibovespa por enquanto, nossos Fundos de ações Vokin GBV Aconcágua e Vokin GBV Aconcágua 30 sobem +5,44%, e o Vokin K2, +3,67%, acima do CDI no período.

Nós aproveitamos o mês de março para utilizar parte do caixa em aquisições. Ainda mantemos em torno de 10% do patrimônio em caixa, eis que ninguém sabe se os preços não podem ficar ainda mais baixos.

Esperamos que a guerra termine logo e seguimos atentos e sendo diligentes e racionais em nossas alocações, sempre com foco na segurança e na valorização de longo prazo.

Desejamos um ótimo mês de abril para todos, com saúde, sabedoria e paz.

Obrigado por investirem junto conosco.

Economia

Teremos um apocalipse energético?

O debate do momento na esfera econômica tem sido dominado pelas projeções alarmistas em meio ao fechamento, ou mesmo restrições de circulação, pela passagem de apenas 33 quilômetros do estreito de Ormuz. Por ali, fluem insumos importantes para o mundo, como petróleo e itens para a produção de fertilizantes. E o argumento catastrofista é simples: um fechamento ou restrição severa na região paralisaria a economia global, gerando uma depressão sem precedentes. No entanto, uma análise mais fundamentada com dados e na experiência histórica, e considerando os conceitos de mercado sugere que, embora o cenário seja desafiador, o “caos mundial” é mais uma peça de ficção do que um destino inevitável.  É fato que o estreito de Ormuz é vital, mas ele não detém o monopólio da energia global. Cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo transita por ali. Embora seja um volume expressivo, a pergunta a ser feita é: como que um corte de 20% na oferta de um produto destruiria os outros 80% da engrenagem produtiva mundial? A resposta curta é: não destruiria. Ainda mais porque estamos falando de um produto que tem uma geografia de fluxo de extração e comercialização específica. No caso do estreito de Ormuz, 75% do que passa ali tem como destino os países asiáticos, notadamente a China, Índia, Japão e Coréia do Sul. O maior comprador, a China, possui canais de abastecimento diversos com contratos de longo prazo e conseguiu acordo para seguir com o fluxo pelo estreito. Além disso, tem estoques suficientes para garantir de 109 a 130 dias de consumo sem precisar de importação. Estamos falando de algo entre 1,2 a 1,5 bilhão de barris de petróleo em estoques e segue fazendo mais investimentos para aumentar essa capacidade. As reservas estratégicas também existem em diversos outros países: Japão (254 dias), Itália (90 dias), Alemanha (75 a 80 dias), Coréia do Sul (60 a 75 dias) e EUA (de 20 a 25 dias). Isso é o resultado do aprendizado histórico de crises anteriores que, da mesma forma, a crise atual vai impor na agenda de vários países para os próximos anos. Tudo isso para amortecer os choques de oferta de curto prazo, ganhando tempo o suficiente para encontrar uma solução e reduzir os danos econômicos. Por falar em danos, é claro que preços maiores têm o poder de impactar o funcionamento da economia, uma vez que o petróleo está presente em quase tudo. Especificamente no caso dos combustíveis, a magnitude e o prazo de impacto variam de país para país. Nos EUA, onde o ajuste é mais rápido, a estimativa é que, no prazo de um ano, a inflação total, considerando inclusive os efeitos derivados na cadeia produtiva, possa ser entre 0,5 e 1,2 ponto porcentual maior. Isso acabou alimentando incertezas sobre o novo ciclo de ajuste nos juros, por isso que, em um primeiro momento, a resposta de investidores foi se proteger e evitar ativos expostos a esse movimento. Acontece que inflação é variação de preços. Se o choque for permanente, ou seja, sobe e depois permanece nesse patamar, o impacto inflacionário cessa após esse ajuste inicial, uma vez que não há mais aumento residual. No médio prazo, a energia mais cara deixa de ser um problema de inflação e passa a ser um problema de distribuição de renda, com transferência de recursos de países que são importadores líquidos do produto (China, Alemanha, Japão, Índia, França), notadamente os mais ricos, para os exportadores. A economia se adapta, o consumo se reajusta e a produção busca eficiência energética. Quanto tempo o mercado avalia que pode durar esse choque? Bem, uma boa aproximação seria o preço do Brent no mercado futuro. A cotação do barril para junho de 2026, até o momento da elaboração deste texto, estava em US$109. Mas, para dezembro deste ano, em US$80. Ou seja, estamos falando de uma crise com grande probabilidade de não durar mais do que 4 a 6 meses. E como ficaria o Brasil nessa história? Somos exportadores líquidos de petróleo, com grandes reservas, o que significa que preço maior beneficiaria o país. Ou melhor dizendo, principalmente a Petrobrás. Outro potencial ganhador dessa história? Os Governos que ganham royalties e taxas pela exploração. A estimativa é que um preço de petróleo perto de US$120 por um ano geraria um adicional de arrecadação entre R$40 bilhões e R$60 bilhões, apenas com o pagamento feito pelas empresas envolvidas para ter o direito de explorar petróleo. Se os combustíveis continuarem com preços nas alturas, os Governos estaduais ainda vão arrecadar mais com o ICMS que incide sobre os combustíveis. Ou seja, o único que está pagando a conta nisso tudo é você que está lendo esse texto. E, como outros produtos tendem a ficar mais caros por conta do elevado preço dos combustíveis, a população acaba pagando ainda mais por essa crise. Mas ainda há um outro elemento a ser considerado e que não pode ser negligenciado: os fertilizantes. O Oriente Médio é um exportador crucial de uréia (35% do total exportado no mundo) e fosfatos (30% do total no mundo). A menor disponibilidade do produto afetaria culturas dependentes de adubação intensiva, como o milho e a soja, especialmente em países com solos que exigem correção constante, como o Brasil e nações do Sudeste Asiático. O potencial impacto no preço dos alimentos existe, mas deve ocorrer apenas a partir de 2027, mas não estamos falando, de forma alguma, de hiperinflação. Em momentos como esse é preciso ter cuidado com o que se lê. O medo vende notícias e move mercados no curto prazo, mas o mundo não parou. A tecnologia de extração, a logística de reservas estratégicas e a própria dinâmica de preços funcionam como mecanismos de defesa. O estreito de Ormuz é um gargalo importante, mas a economia global é um organismo complexo demais para ser nocauteado por um corte de 20% em um único canal e que, no final das contas, nem foi totalmente bloqueado. O cenário pede cautela e monitoramento, mas está longe de justificar o anúncio do fim dos tempos.

Estratégia Vokin GBV Aconcágua

O mês de março interrompeu a extraordinária alta da bolsa brasileira observada no início do ano. A guerra que irrompeu no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e gerou incerteza quanto à extensão de seus efeitos, sobretudo diante de sinais contraditórios emitidos pelo Presidente dos Estados Unidos que, ora afirmava que um acordo poderia ser fechado, ora indicava que o conflito persistiria até que todos os objetivos militares fossem atingidos. Ainda que essa retórica possa fazer parte de sua estratégia, as mudanças de discurso influenciaram o humor do mercado e os preços dos ativos. A bolsa brasileira só não caiu mais em razão da sua exposição de 15,9% a empresas de petróleo. Apesar de toda a turbulência, o investidor estrangeiro continuou trazendo recursos para o Brasil, e o dólar encerrou o mês praticamente no mesmo nível observado no dia anterior ao início da guerra.

A diminuição da oferta de petróleo e gás produzidos no Oriente Médio gera pressão de custos em praticamente toda a cadeia produtiva global. Os preços de fretes, fertilizantes — que, por sua vez, pressionam os alimentos como efeito de segunda ordem —, passagens aéreas e gasolina têm impacto sobre a inflação e alteram as perspectivas para a taxa de juros. Em março, o Banco Central do Brasil, por exemplo, escolheu começar com 0,25% a trajetória de queda que havia sinalizado na reunião anterior, ou seja, de forma mais comedida, e disse estar atento aos efeitos da guerra para tomar suas próximas decisões.

Ao mesmo tempo, novas pesquisas eleitorais indicaram queda nas intenções de voto em Lula e aumento nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro. Algumas delas já apontam o atual Presidente atrás do opositor em simulações de segundo turno. Esse cenário gerou um sinal de alerta no Governo. Para mitigar os efeitos econômicos da escassez de petróleo, foram adotadas medidas como a zeragem de PIS e Cofins sobre o diesel e a subvenção à importação do combustível, em parceria com diversos Estados. Também foram implementadas multas mais rigorosas para o descumprimento dos preços mínimos de frete após negociações com caminhoneiros, que ameaçavam uma greve geral. Além disso, o Governo decidiu enviar, com urgência constitucional, um projeto de lei para o fim da jornada 6×1 — que, segundo sua avaliação, avançava de forma lenta via PEC na Câmara — e voltou a cogitar o fim da chamada “taxa das blusinhas” e a ampliação de financiamentos subsidiados para pequenas empresas. Diante dos riscos fiscais, os juros futuros subiram no mês, em movimento distinto do observado no câmbio.

O Vokin GBV Aconcágua fechou o mês com resultado de -4,69% e o Vokin GBV Aconcágua 30, -4,70%, enquanto o Ibovespa fechou com -0,70%.

No mês, uma das ações com melhor desempenho no fundo foi a Ser Educacional, que divulgou resultados bastante positivos para o ano de 2025. Após a transformação do setor de educação no período pós-pandemia, marcada pelo crescimento acelerado do ensino a distância (EAD), de menor ticket médio, os anos recentes foram de ajustes para adaptação a um mercado de menor receita agregada em termos reais. A Ser devolveu imóveis alugados e reduziu campi, adequando sua estrutura à nova realidade, aumentando a ocupação das salas de aula e eliminando cursos com baixa demanda ou em localidades menos atrativas.

Além disso, a companhia ampliou significativamente sua oferta de vagas em medicina, passando de pouco mais de 320 antes da pandemia para mais de 1.000, atualmente, muitas delas obtidas por meio de vitórias em processos judiciais — uma das estratégias mais bem-sucedidas do setor nesse segmento. Os cursos de medicina apresentam receita por aluno e margens significativamente superiores à média dos cursos de graduação. Como resultado, a empresa atingiu o maior patamar de receita de sua história, de R$ 2,2 bilhões, diluindo custos fixos e recuperando uma margem bruta próxima a 60%, nível que não era alcançado há mais de dez anos. Além dos desafios da pandemia, o período entre 2015 e 2019 já havia sido pressionado pela forte redução do FIES.

Com uma execução consistente e um ambiente setorial mais favorável, a empresa reduziu seu endividamento para menos de uma vez o EBITDA e deve manter uma forte geração de caixa ao longo de 2026. Como destacou o CEO da companhia, Jânio Diniz, no último conference call de resultados, a Ser executou e concluiu seu turnaround de forma bem-sucedida.

Para os próximos meses, será importante monitorar por quanto tempo o Estreito de Ormuz permanecerá fechado — principal fator de risco para o preço do petróleo —, bem como os desdobramentos das medidas adotadas pelo Governo brasileiro para tentar melhorar sua popularidade. Há risco de que essas iniciativas comprometam ainda mais as contas públicas. Além disso, as notícias relacionadas ao escândalo do banco Master também podem influenciar o cenário eleitoral, que é um dos principais vetores para o mercado brasileiro neste ano.

Vokin K2 Long Biased FIA

Comentários dos Gestores

A Suzano aprovou a realização da 2ª emissão de 2,5 milhões de cédulas de produto rural com liquidação financeira, escriturais, em até duas séries da companhia, com valor unitário de R$ 1 mil. O montante total é de R$ 2,5 bilhões, sendo emitidas, no máximo, 1,5 milhão da primeira série e, no mínimo, 1 milhão da segunda série. A companhia também aprovou a realização da emissão de 179 mil debêntures simples, não conversíveis em ações, em série única, com valor nominal unitário de R$ 1mil, perfazendo o montante de R$ 179 milhões.

A Pague Menos anunciou oferta pública de distribuição primária e secundária de ações de emissão da companhia, ambas consistindo na distribuição de 35 milhões de ações da empresa. O preço por ação da oferta primária é de R$ 6,55, perfazendo o montante total de R$ 229,2 milhões e elevando o capital social da companhia para R$ 2,4 bilhões.

O Assaí comunicou a aprovação do terceiro programa de recompra de ações de emissão da companhia. O programa tem por objetivo a aquisição de até 11,3 milhões ações ordinárias de sua própria emissão, representativas de 0,8% do total de ações em circulação, com prazo de 12 meses. Em outro comunicado, a companhia informou que o Sr. Wlamir dos Anjos, atual Vice-Presidente das áreas Comercial e de Logística, deixará suas funções ao fim de abril para dedicar-se a projetos pessoais. O Sr. Anderson Barres Castilho, atualmente Vice-Presidente de Operações, assumirá o cargo.

A Ser realizou a emissão de 250 mil debêntures simples, não conversíveis em ações, em série única, da espécie quirografária, perfazendo o montante total de R$ 250 milhões. Em outro comunicado, a companhia anunciou a aprovação do pagamento de dividendos aos acionistas, no valor de R$ 61,1 milhões, correspondentes a R$ 0,47 por ação da companhia. Serão beneficiados os acionistas com posição acionária em 06 de abril de 2026, com os pagamentos sendo realizados em 2 parcelas, em 30 de abril de 2026 e em 29 de maio de 2026.

A Iguatemi informou que suas subsidiárias concluíram a venda de participações minoritárias em 4 ativos do portfólio ao XP Malls FII. Os ativos objeto dessa transação correspondem às participações nos Shoppings Iguatemi Alphaville, Iguatemi Ribeirão Preto, Iguatemi São José do Rio Preto e Praia de Belas. O valor total da transação foi de R$ 372 milhões.

A Vamos anunciou um possível aumento de capital privado, contemplando investimentos da BNDESPAR e da SIMPAR. Caso efetivado, a companhia terá o montante de, no mínimo, R$ 400 milhões e, no máximo, R$ 600 milhões, mediante a subscrição privada de, no mínimo, 103,8 milhões e, no máximo, 155,8 milhões novas ações ao preço de R$ 3,85. A BNDESPAR se comprometeu a investir entre R$ 199,9 milhões e R$ 300 milhões, enquanto a SIMPAR se comprometeu a investir entre R$ 59,9 milhões e R$ 89,9 milhões.

A Hypera comunicou o encerramento do período para exercício de subscrição de ações ordinárias de emissão da companhia, no âmbito do aumento do seu capital social. Durante o período, foram subscritas todas as 70,5 milhões ações ordinárias, ao preço de emissão de R$ 21,25 por ação, totalizando um montante de R$ 1,5 bilhão. O capital social da companhia passa a ser de R$ 11,2 bilhões, representado por 704 milhões ações ordinárias. Ainda, a companhia aprovou a distribuição de juros sobre capital próprio, no montante total bruto de R$ 185 milhões, o que corresponde a R$ 0,26 por ação ordinária. Serão beneficiados titulares de ações da companhia em 31 de março de 2026, com o pagamento sendo realizado até o final do exercício social de 2027.

A SIMPAR outorgou à BNDESPAR uma opção de compra para que a BNDESPAR adquira até 14,2 milhões ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal de emissão da JSL, representativas de até 5% do capital social da JSL, mediante o pagamento do menor dentre os seguintes valores por ação: (i) R$ 7,89 ou (ii) o equivalente a 95% da cotação da ação da JSL no fechamento do pregão imediatamente anterior à data do exercício da opção de compra. Essa opção poderá ser exercida em até 30 dias após a homologação do aumento de capital da SIMPAR.

O Bradesco anunciou o pagamento de juros sobre o capital próprio intermediários, no valor total de R$ 3 bilhões, sendo R$ 0,22 por ação ordinária e R$ 0,24 por ação preferencial. Serão beneficiados os acionistas inscritos em 06 de abril de 2026, com o pagamento ocorrendo em 30 de outubro de 2026.

Vokin Everest FIC FIM

Comentários dos Gestores

Após uma sequência de meses bastante favoráveis aos ativos de risco, o mês de março foi marcado por uma reversão abrupta em função da escalada significativa do conflito no Oriente Médio. Iniciados no final de fevereiro, ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã tiveram como resposta uma série de mísseis e drones lançados contra países da região, além do fechamento do Estreito de Ormuz, região responsável por um importante fluxo comercial, principalmente transporte de petróleo e seus derivados, fertilizantes e gás natural.  O que, inicialmente, pensava-se poder ser um conflito rápido, já se estende por mais de um mês em função do surpreendente poder de reação do Irã, da divulgação de informações desencontradas sobre um eventual processo de negociação e pela ausência de articulação envolvendo demais países, principalmente europeus e asiáticos.

O impacto direto mais relevante foi da disparada no preço do petróleo, com altas de, aproximadamente, 50% a 60% no mês (dependendo do tipo de contrato) e que levaram a um movimento de aversão ao risco, com abertura nas curvas de juros globais em função dos efeitos inflacionários do aumento nos preços dos combustíveis e aumento da volatilidade nos mercados. Nos Estados Unidos, o Banco Central manteve, conforme expectativa, inalterada a taxa básica de juros no patamar de 3,50% – 3,75% e sendo mencionado o aumento da incerteza sobre as projeções de inflação caso persista o choque energético. O título de 10 anos do Governo, que negociou a 3,96% no final de fevereiro, chegou a atingir 4,44% próximo ao final de março, impactando, também, na valorização do dólar contra diversas moedas e desvalorização nos mercados de ações.

No Brasil, os ativos também tiveram movimento de aversão ao risco, principalmente com a abertura na curva de juros em função de aumento nas expectativas de inflação. Apesar de o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) ter reduzido a taxa básica de juros em 0,25 p.p., levando a Selic para 14,75% a.a. – a primeira queda em quase dois anos-, o Comitê destacou a necessidade de cautela diante dos riscos externos. Assim, a expectativa de mercado passou a indicar que a taxa encerre o ano em 12,50%, acima dos 12,00% observados no mês anterior.  O Ibovespa teve queda de apenas -0,70% no mês devido a participação do setor de petróleo no índice, com destaque para a Petrobras, com valorização de +23,75% no mês.  O dólar se valorizou +1,00% frente ao real, e a curva de juros reais ficou praticamente estável, com alta de +0,17% no índice IMA-B. Já próximo ao final do mês, houve uma pequena recuperação nos ativos de risco e queda nos preços do petróleo após notícias de que os Estados Unidos poderiam encerrar a operação no Irã em um possível acordo para reabertura do Estreito de Ormuz.

Os fundos multimercados macro vinham, de maneira geral, com desempenhos bastante positivos em função de uma perspectiva construtiva para os ativos de risco. Essas posições se favoreciam, principalmente, da continuidade da trajetória de cortes de juros em diversas regiões em função de um ambiente relativamente favorável para a trajetória da inflação e realocação de ativos no mundo. A mudança brusca trazida pela escalada e continuidade da guerra, principalmente com os efeitos da disparada nos preços do petróleo, acabou causando desempenhos bastante negativos.  O Índice de Hedge Funds (IHFA) da Anbima, composto por uma carteira teórica diversificada de 277 fundos, teve o segundo pior desempenho mensal desde sua criação – há aproximadamente 19 anos -, ficando atrás apenas de março de 2020, no início da pandemia Covid-19. Dentro desse contexto, o fundo Everest acabou encerrando o mês com queda de -2,53%, ante +1,21% do CDI, acumulando nos últimos 12 meses alta de +14,39% ante +14,79% do CDI. As maiores contribuições negativas vieram de posições favoráveis à queda de juros em diversos países, de renda variável e de commodities. Os melhores desempenhos no mês vieram dos fundos Quantitas Arbitragem (+1,39%) e no fundo IMA-B (+0,15%). Os piores desempenhos vieram dos fundos multimercado macro Kapitalo Zeta (-11,93%), Ibiúna STH (-10,89%) e SPX Nimitz (-5,47%).

Durante o mês foi feito um aumento pontual na posição direcional em juros reais através da NTN-B 2035.

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