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Carta 252Janeiro 2026

Comentário do gestor

Prezados Coinvestidores,

2026 começou com uma forte alta na bolsa brasileira. O índice Ibovespa teve valorização de +12,56% em janeiro – maior valorização mensal desde novembro de 2020; a terceira maior alta mensal dos últimos 16 anos; e a sétima desde o ano 2000.

Essa forte valorização é resultado do forte fluxo de investidores estrangeiros comprando ações de empresas brasileiras, em decorrência de uma rotação global de recursos para mercados emergentes e como consequência da turbulência das narrativas do Presidente americano, Donald Trump, e preocupações geopolíticas daí decorrentes.

Do lado interno, a expectativa da queda da taxa Selic e uma possível alternância de poder nas eleições de 2026 ajudam neste fluxo para o Brasil.

Somente em janeiro, os investidores estrangeiros aportaram R$ 26,3 bilhões na bolsa brasileira, um número recorde para um único mês e mais do que todo o valor aportado em 2025, de R$ 25,5 bilhões.

A maior parte destas compras de investidores estrangeiros ocorre por meio de ETFs (fundos de índice) e em compras das empresas de maior liquidez da bolsa (as chamadas “blue chips”, como Petrobras, Vale e os maiores bancos).

Importante notarmos que, nos últimos anos, o mercado de ações no Brasil havia diminuído, aumentando a sensibilidade ao fluxo de investimentos para renda variável.

O volume financeiro diário da Bovespa havia caído 30% desde 2021, 39 empresas saíram da bolsa recentemente, enquanto muitas vinham recomprando suas ações no mercado.

Juros altos internos vinham afastando investidores locais de investir em empresas, na medida em que um juro alto na renda fixa era mais confortável e seguro.

A recente valorização aconteceu, sim, por fluxo, mas também aconteceu porque nossas empresas estavam com suas ações muito descontadas em relação ao valor intrínseco.

Na ata da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, o Copom indicou que irá iniciar a diminuição dos juros na próxima reunião, em 17 e 18 de março. Ainda não informou a magnitude do corte, nem o ritmo a ser adotado ao longo dos próximos meses, mas já deixou claro que teremos reduções de juros nas próximas reuniões e ao longo do ano – o que já é amplamente aguardado pelo mercado.

Os investidores locais que estavam com investimentos em ações estão se beneficiando deste forte fluxo estrangeiro, enquanto os que estavam de fora, só na renda fixa, não estão. E tem muito dinheiro investido na renda fixa brasileira. Se parte destes recursos migrarem para ações, corremos o risco de ter fortes valorizações por fluxo ainda.

E o apetite dos investidores estrangeiros não terminou. Em reuniões com investidores estrangeiros europeus, uma grande instituição financeira relata ter ouvido um renovado otimismo com o Brasil devido ao iminente corte de juros e aos valuations atrativos das empresas brasileiras em comparação às de mercados globais e outros mercados emergentes. Relatam que a corrida presidencial será acompanhada de perto por investidores estrangeiros, mas que estes estão menos preocupados do que os locais com o resultado das nossas eleições.

Por outro lado, observamos que a dívida pública brasileira vem crescendo numa velocidade assustadora. Sucessivos déficits fiscais primários e juros altos têm feito a dívida chegar perto de 80% do PIB. O juro real longo pago pelos títulos brasileiros, que estava perto de 3% no pós-pandemia, hoje se encontram acima de 7% ao ano, o que demonstra a desconfiança dos poupadores quanto à capacidade do Governo em controlar e honrar sua dívida.

Nossos fundos de ações Vokin GBV Aconcágua e Vokin GBV Aconcágua 30 tiveram valorizações de +8,50% e +8,51%, respectivamente, e o Vokin K2, +7,47% em janeiro/26, uma valorização menor do que o Ibovespa. Isto porque estamos sempre em busca das maiores distorções entre preço e valor e, dentre as ações mais líquidas e empresas mais conhecidas e acompanhadas, é mais difícil de encontrar essas distorções.

Nessas altas recentes, algumas ações muito descontadas tornaram-se descontadas (e ainda bem atrativas), algumas descontadas se aproximaram mais do valor (mas ainda atrativas) e outras, que estavam perto do valor, talvez já tenham chegado no valor.

Além de entendermos que as empresas de nossos fundos ainda têm muito potencial de valorização, aproveitamos esses momentos para diminuir algumas posições que se aproximam do valor e manter ou aumentar aquelas que ainda têm muito para andar até que o preço chegue perto do valor.

Estamos sempre focados em nosso processo e filosofia, investindo em boas empresas, que podemos comprar por menos do que valem, e aguardando até o dia em que o preço chegue no real valor.

Se as empresas em que investimos forem bem, o preço das suas ações, um dia, acompanhará. Felizmente temos muitas oportunidades ainda!

Nosso Fundo Multimercado Vokin Everest rendeu +2,23% em janeiro, quando o CDI rendeu +1,16%, marcando um ótimo começo de ano para nosso Fundo Multimercado com benchmark CDI.

Thomaz Alva Edison, um dos maiores inventores de todos os tempos, tinha uma grande vantagem. Ele era surdo de um ouvido e quase surdo de outro. Isso facilitava para que ele pensasse.

Acima de sua mesa, ele tinha um cartaz com a frase de Joshua Reynolds: “Não há expediente ao qual um homem não recorra para evitar o verdadeiro trabalho de pensar.”  Que possamos todos ter tempo para pensar. Não só em nossos investimentos e decisões de alocação de capital, mas também na vida e no tempo, que é o que temos de maior valor.

Desejamos a todos um ótimo mês de fevereiro, com muita saúde, paz e sabedoria.

E, mais uma vez, obrigado por investirem junto conosco.

Economia

O Cisne de Silício

A teoria do “Cisne Negro”, popularizada na obra de Nassim Taleb, descreve a ocorrência de eventos raros, que são imprevisíveis e com potencial de impacto extremo na dinâmica dos mercados. Atualmente, o cenário global nos coloca diante de um fenômeno que denomino de “Cisne de Silício”. Ele é um pouco diferente do evento comentado por Taleb exatamente por ser mais previsível, está sendo gestado aos olhos de todos e alimentado pela euforia da liquidez que desconecta os fundamentos dos preços dos ativos financeiros e da produtividade real da economia. Me refiro ao boom da Inteligência Artificial e ao fato de estarmos diante de uma revolução tecnológica ou então de uma bolha especulativa com potencial de risco sistêmico com características que podem ser relacionadas tanto com a crise das “ponto com” no início dos anos 2000, quanto do “subprime” em 2008. O ponto de partida da minha análise é o descolamento que existe entre o valor de mercado das “Big 7” (Microsoft, Nvidia, Google, Apple, Meta, Amazon e Tesla) da produtividade total dos fatores que reflete o quanto a economia está conseguindo transformar a tecnologia em ganho de produtividade. Ou seja, a macroeconomia ainda não conseguiu materializar a revolução da IA. Mas essa é apenas a camada superior e existem muitos desequilíbrios quando analisamos os aspectos microeconômicos (o setor de tecnologia). O maior deles é a energia. Estima-se que uma consulta a um modelo de IA (os famosos LLM) chega a representar um consumo de energia 10 vezes maior do que uma simples busca no Google, por exemplo. Além disso, esses modelos precisam ser treinados e essa curva de custo de treinamento aumenta exponencialmente, demandando, hoje, centenas de milhões de dólares apenas com eletricidade. Dada a sua importância, as Big 7 já se movimentam para verticalizar o processo, com exemplos como o da Microsoft, que reativou a produção de energia nuclear na Three Mile Island, nos EUA, movimento que tem sido seguido pela Amazon e Google. Mas o avanço da IA esbarra no paradoxo de Jevons: “a maior eficiência dos chips não reduz o consumo total, pois a demanda elástica pro processamento absorve qualquer ganho marginal”. Ou seja, quanto mais eficiente o sistema, mais se demanda dele. Mas há ainda outros pontos que chamam atenção, como a circularidade contábil, fenômeno que o mercado denomina de “round-tripping”. Um bom exemplo disso ocorre com a Microsoft investindo na OpenAI, que usa esses dólares para pagar a nuvem da Microsoft (Azure). A Microsoft registra o investimento como ativo e o dinheiro que volta como receita de nuvem. O mercado vê crescimento de receita e sobem as ações da Microsoft, mas o dinheiro apenas mudou de bolso, criando uma “receita sintética” que infla os valuations. Esse modelo também ocorre com outros players, inclusive com a Nvidia, que, hoje, tem 40% do seu faturamento dependente de apenas quatro clientes (Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet). Se o Capex (investimento em capital) dessas quatro empresas sofresse uma contração marginal, o efeito multiplicador reverso sobre o valor de mercado do setor de semicondutores seria enorme. Agora vamos ao terceiro problema: “a conta do fluxo de caixa não fecha”. As estimativas apontam que, para cada $1 investido na compra de Chip de IA, gasta-se outro $1 para infraestrutura de data centers, armazenamento e energia. Atualmente, o desembolso com hardware fica perto de $200 bilhões, levando a uma estimativa de receita da ordem de $600 bilhões para que as margens do setor SaaS (Software as a Service) fiquem saudáveis. Acontece que a realidade é outra, com as receitas das empresas de IA rondando os $100 bilhões e criando um gap financeiro que não tem como pagar devido ao quarto problema: a rápida depreciação. Um chip de IA não tem uma vida útil como uma estrada ou ferrovia. A sua obsolescência é rápida – no máximo quatro anos – basta ver que a Nvidia lança um novo chip a cada 18 meses. O H100/H200, lançado em 2022, já está em fase de substituição por outro que é 4 vezes mais rápido e muito mais econômico no consumo de energia. E olha que o H100/H200 já era 9 vezes mais rápido que o anterior. Sendo assim, quem fez o investimento dois anos atrás imobilizou uma enorme soma de capital e, hoje, vê seu ativo se depreciar em uma velocidade muito maior que a capacidade de gerar caixa. Por isso que a conta não fecha e estima-se que essas empresas operam com um gap financeiro da ordem de $500 bilhões. Isso posto, será que estamos diante de uma nova crise? E qual seria sua natureza? Seria como uma bolha a exemplo dos anos 2000, ou financeira, como em 2008? De um lado, os indicadores de preço das ações sugerem um cenário como em 2000, com múltiplos de 30 vezes a receita apontando crescimento perpétuo. Faz sentido a Nvidia valer mais que todo o mercado do Reino Unido? Ou a soma do valor das “Big 7” ser maior que a soma do valor das empresas listadas na Bolsa da China, Japão, Reino Unido e índia? O cenário das “ponto com” seria de correção do preço, com o valor das ações colapsando, investidores perdendo capital, porém o sistema financeiro sobrevivendo. Mas a alavancagem fora do balanço também nos remete para um cenário parecido com 2008. O relatório 10-K (publicado anualmente nos EUA e que analisa a situação financeira do ano anterior), aponta valores muito elevados na linha: “obrigações de compra”. Aqui estão compromissos contratuais que as empresas assumem no longo prazo, como os $136 bilhões da Microsoft e que superam a dívida bancária apontada de $45 bilhões. Seria uma espécie de “Subprime Computacional”. Imagina um cenário no qual a demanda por IA não se concretiza. Nesse caso, a empresa terá um enorme problema de receita, mas assumiu compromissos de compra que precisa honrar. Diferente da crise do ano 2000, em que havia apenas o risco de equity (patrimônio), hoje temos, além desse, também o risco de crédito disfarçado de despesa operacional. Em resumo, o evento “Cisne de Silício” não é uma impossibilidade técnica, mas, sim, uma inviabilidade financeira temporal. A tecnologia é real, mas todo o ambiente e a estrutura de capital que a sustenta, me parecem perigosamente frágeis.

Estratégia Vokin GBV Aconcágua

Comentários dos Gestores

O mês de janeiro trouxe retornos expressivos para as ações brasileiras. Foi a alta mais forte do Ibovespa desde novembro de 2020, em plena pandemia. No pano de fundo, apesar dos desafios fiscais brasileiros e da incerteza eleitoral, o deslocamento de recursos para mercados emergentes foi o fator determinante. As ações de Trump são interpretadas como enérgicas, porém erráticas, difíceis de prever e com consequências incertas. Isso tem enfraquecido o dólar e levado investidores a buscarem alternativas. O ouro, por exemplo, bateu recorde histórico em janeiro, chegando a superar US$ 5 mil por onça. O Brasil se beneficiou desse fluxo para emergentes, com o investidor estrangeiro aportando mais de R$ 25 bilhões em ações brasileiras no mês.

A desconfiança em relação a Trump teve dois aspectos principais: sua insistência em atacar o Presidente do Banco Central e pressionar por cortes de juros, o que mina a confiança na capacidade da instituição de se manter técnica e independente; e sua insistência em anexar a Groenlândia, comprando briga com países europeus e ameaçando tarifá-los, o que poderia suscitar retaliações e gerar uma relação de perde-perde. Um fator adicional de estresse foi o risco de um novo shutdown do Governo, após democratas ameaçarem barrar o orçamento caso o Presidente não alterasse sua política interna contra imigrantes. Essa última questão foi momentaneamente superada, mas as duas primeiras tiveram impacto relevante na saída de recursos dos EUA. No campo geopolítico, Trump mantém uma agenda cheia, buscando resolver as questões do Irã, de Cuba e da guerra entre Rússia e Ucrânia, após obter sucesso em sua empreitada na Venezuela.

No Brasil, apesar da manutenção dos juros em 15%, a ata do Copom surpreendeu ao sinalizar de forma bastante clara que o corte de juros virá já na próxima reunião. No campo eleitoral, tivemos a filiação de Caiado ao PSD, que passa a contar com três possíveis candidatos (incluindo Ratinho e Eduardo Leite), além da divulgação das primeiras pesquisas de intenção de voto, que mostraram uma redução na diferença entre Lula e seus principais potenciais adversários, como Flávio Bolsonaro e Tarcísio. Apesar de manter a liderança, a queda da popularidade do atual Presidente anima o mercado com a possibilidade de adoção de medidas fiscais mais duras a partir de 2027.

O Vokin GBV Aconcágua e o Vokin GBV Aconcágua 30 fecharam o mês com alta de 8,50% e 8,51%, respectivamente, enquanto o Ibovespa subiu 12,56%.

Uma posição que vem testando nossa paciência é a Suzano Papel e Celulose. Iniciamos a construção da posição há, aproximadamente, quatro anos e ajustamos seu tamanho ao longo do tempo, à medida que a ação oscilava; contudo, no consolidado do período, o papel pouco entregou em termos de valorização.

Ao observarmos a performance operacional da empresa, o cenário é outro. Ao longo desses 4 anos, a empresa construiu uma nova fábrica de R$25 bilhões, adquiriu a KC Brasil (papel higiênico Neve) e a Lenzing (tecido Modal) por R$2 bilhões, distribuiu R$8 bilhões em dividendos e recomprou R$6 bilhões em ações, além de compras de terras e modernizações fabris. Tudo isso com geração de caixa operacional, sem alterar o endividamento de R$70 bilhões.

Somando esses valores, chegamos a uma geração de caixa de R$41 bilhões, equivalentes a 67% do valor de mercado atual de R$60 bilhões.

No período, o volume produzido aumentou com a entrada da nova fábrica, enquanto os custos de produção permaneceram estáveis. O preço da celulose (US$600) e o dólar também se alteraram pouco. O que vem gerando apreensão, atualmente, é a perspectiva para os preços futuros da celulose.

Ao tratar de commodities, estudamos as curvas de demanda e oferta para estimar seu preço futuro. A demanda por celulose de mercado de fibra curta, principal componente dos papéis tissue (papel higiênico, lenços e guardanapos), cresce num ritmo de 900 mil toneladas por ano, num mercado de 42 milhões de toneladas. A China importa 43% dessa produção. Nos últimos anos, devido ao arrefecimento da construção civil chinesa, há sobra de madeira por lá, o que está favorecendo a produção local de celulose. A oferta de celulose cresce quando se inauguram novas fábricas, o que exige 7 anos de planejamento florestal e 3 anos de construção.

Ao cruzarmos a curva de oferta e demanda, chegamos em um preço de celulose de aproximadamente US$550. O preço de incentivo para a expansão de capacidade no Brasil fica um pouco acima disso. Com US$550, estimamos que a Suzano gerará 13% a.a. de fluxo de caixa livre para o acionista, em relação ao seu valor de mercado atual. Lembrando que a Suzano tem receita dolarizada e pouco correlacionada com a economia brasileira.

Em 2026, a Suzano concluirá a aquisição de 51% do segmento tissue da KC, ex-EUA, com 22 fábricas na Europa, América Latina e Ásia. Serão investidos R$10 bilhões, um pouco acima da geração de caixa do ano.

No cenário político brasileiro, será importante monitorarmos os desdobramentos do caso Master e da CPI do INSS, o que têm afetado pessoas associadas ao Governo, e que poderá impactar a popularidade do atual Presidente. As retomadas das sessões do Congresso e do Judiciário, em fevereiro, também virão com diversos temas importantes para as contas públicas e para o desenvolvimento das narrativas eleitorais, com foco em jornada 6×1, PECs antifacção e contra o crime organizado. No exterior, será importante monitorar as potenciais ações militares de Trump, assim como suas medidas tarifárias, o que pode afetar o ritmo da entrada de investimentos estrangeiros no Brasil.

Vokin K2 Long Biased FIA

Comentários dos Gestores

A Hapvida informou que a aquisição de 100% do capital social do Hospital de Oncologia do Méier, de propriedade da Oncoclínicas, anunciada em agosto de 2025, não será concluída. A empresa informa que as partes não alcançaram termos e condições satisfatórios e, portanto, decidiu rescindir o contrato vinculante. Em outro comunicado, a companhia informou que o Sr. Alain Benevenuti passará a exercer a função de Vice-Presidente Comercial da companhia.

A Petrobras informou o início da produção do FPSO P-78, no pré-sal da Bacia de Santos, com capacidade para produzir 180 mil barris de óleo por dia, além de comprimir 7,2 milhões de m³ de gás diariamente. Com a entrada da P-78, a capacidade instalada do campo será ampliada para cerca de 1,15 milhão de barris por dia e, além disso, o projeto permitirá a exportação de gás para o continente, expandindo a oferta de gás no Brasil em até 3 milhões de m³ por dia. Em outro comunicado, a empresa informou que suas estimativas de reservas provadas de óleo, condensado e gás natural, resultaram em 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em 31 de dezembro de 2025. No ano, a Petrobras seguiu a trajetória de adição significativa de reservas (1,7 bilhão de boe), com um índice de reposição de reservas de 175%, mesmo diante da produção recorde.

A Vamos divulgou prévia dos resultados do 4T25 e 2025. Na área de locação houve receita recorde, com crescimento de dois dígitos e acima da inflação em relação ao 4T24, expansão da margem EBITDA em relação ao 3T25 e ao 4T24, e retomadas de R$ 148,4 milhões (-41% T/T). Na área de seminovos, a receita aumentou 98% em 2025 em relação a 2024 e a margem EBITDA se manteve positiva, levemente acima do 3T25. Ainda, a empresa comunicou que o guidance dos indicadores financeiros EBITDA, lucro líquido e alavancagem foram alcançados.

O Banrisul exerceu a opção de resgate da totalidade das suas Notas Subordinadas Nível II emitidas em 28 de janeiro de 2021, no valor de US$ 300 milhões. As notas possuem cupom de 5,375% ao ano e vencimento previsto para 28 de janeiro de 2031. Ainda, a empresa comunicou que realizou a emissão de letras financeiras no valor total de R$ 850 milhões em negociações privadas com investidores pelo prazo de vencimento de 10 anos e possibilidade de resgate a partir do quinto ano.

O Grupo Mateus anunciou a aprovação do aumento de capital da companhia pelo preço de emissão de R$ 6,37, no valor mínimo de R$ 291,7 milhões (45,7 milhões de novas ações ordinárias) e no valor máximo de R$ 475,9 milhões (74,7 milhões de novas ações ordinárias). Durante o período para exercício do direito de preferência (21 de novembro de 2025 a 22 de dezembro de 2025), foram subscritas 55,2 milhões ações ordinárias, totalizando o valor de R$ 351,7 milhões. O Conselho de Administração da companhia aprovou a homologação do aumento de capital parcialmente subscrito, com o capital social da companhia passando de R$ 8,5 bilhões para R$ 8,8 bilhões.

O Banco do Brasil aprovou payout de 30% para o exercício de 2026, via juros sobre capital próprio e/ou dividendos. Os acionistas serão remunerados em oito fluxos, sendo quatro pagamentos realizados ao longo dos trimestres de referência e outros quatro pagamentos complementares.

A JSL divulgou prévia dos resultados do 4T25 e de 2025. No 4T25, a JSL apresentou expansão de EBITDA e margem EBITDA em relação ao 4T24, e novos contratos atingiram R$ 829 milhões, com prazo médio de 57 meses. Houve uma redução de 45,5% no Capex da companhia em 2025 em relação a 2024, com o Capex líquido atingindo R$ 19 milhões no 4T25. Ainda, a alavancagem da companhia diminuiu em 2025, chegando 2,9x no 4T25.

Vokin Everest FIC FIM

Comentários dos Gestores

O ano de 2026 iniciou de forma bastante favorável para grande parte dos ativos de risco no mundo, sendo o principal fator de contribuição vindo dos Estados Unidos. Além do fato de que o mês de janeiro já tenha característica de ser um período de rebalanceamento global de portfolios, neste ano, o efeito foi potencializado pelo perfil de atuação do Presidente Donald Trump em diversas frentes, fazendo com que parte do fluxo de investimentos que, tradicionalmente era direcionado para os Estados Unidos, fosse realocado para outros países ou ativos. Houve uma sequência de episódios relevantes em um curto espaço de tempo, como a operação de captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, um tom mais agressivo sobre a Europa com relação à tentativa de anexação da Groenlândia, as ameaças sobre Irã e Cuba, além de questões internas, como a continuidade da pressão sobre o Presidente do FED, Jerome Powell, e polêmicas envolvendo a atuação dos agentes federais de imigração.

Como consequência desse aumento da incerteza institucional na principal economia do mundo, tivemos uma realocação de investimentos que impactou diretamente na desvalorização do dólar frente a diversas moedas e a valorização de ativos que receberam esse fluxo, como altas expressivas de metais preciosos e valorização nos mercados de ações de diversos países, principalmente emergentes. Esse movimento ainda foi impactado pela piora na percepção fiscal do Japão em função da proposta do Governo de aumentar gastos em um contexto de elevado endividamento, retração do PIB e alta da inflação. Já próximo ao final do mês, o Banco Central dos Estados Unidos manteve inalterada a taxa básica de juros, indicando uma visão otimista sobre a atividade, relativa estabilidade no mercado de trabalho e trajetória positiva de queda na inflação, indicando que a taxa, provavelmente, ficará inalterada nas próximas reuniões, sendo que há grande expectativa sobre como será a postura do próximo Presidente do Banco Central, Kevin Warsh, que foi indicado por Trump e irá assumir em maio se houver aprovação pelo Senado.

O Brasil também se beneficiou diretamente desse fluxo global, com desvalorização de 4,02% do dólar frente ao real e valorização de 12,56% do Ibovespa no mês, maior alta mensal em mais de cinco anos. Estando entre os países emergentes com melhores níveis de liquidez, baixo patamar de alocação comparado com a média histórica e em vias de iniciar um ciclo de corte nos juros, a bolsa local recebeu elevado fluxo estrangeiro no mês, com ingresso de valores próximos ao acumulado em todo o ano passado. A curva de juros reais, menos impactada por fluxo internacional, teve fechamento no mês, representando alta de 1,00% no índice IMA-B.

No cenário local, o recesso parlamentar trouxe poucas novidades no âmbito político, sendo o maior destaque a comunicação do Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de tentar a reeleição ao seu mandato e indicando apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. No âmbito econômico, o Copom manteve inalterada a taxa básica de juros em 15,00% a.a., conforme esperado pelo mercado. No comunicado foi sinalizado o início do ciclo de cortes já na próxima reunião, com expectativa de um primeiro corte de 0,50% sendo corroborado pela divulgação de dados favoráveis de inflação.

O ambiente global favorável ao risco de mercado fez com que o fundo Everest encerrasse o mês com alta de +2,23%, ante +1,16% do CDI, acumulando, nos últimos 12 meses, alta de +16,43% ante +14,49% do CDI. Os fundos multimercado macro tiveram desempenho bastante positivo no mês, beneficiados, principalmente, por posições em renda variável doméstica, câmbio e juros. Os melhores desempenhos no mês vieram do fundo de ações long only Vokin GBV Aconcágua (+8,51%), do multimercado macro Ibiúna STH (+5,07%) e do fundo de ações long biased SPX Falcon (+4,20%). Os piores desempenhos no mês vieram do fundo de ações long biased IP Value Hedge (-2,09%), da posição direcional em NTN-B 2035 (+0,32%) e do multimercado Quantitas Arbitragem (+0,85%).

Em janeiro, foram feitos dois ajustes pontuais na carteira: aumento da exposição em juro real através da NTN-B 2035 e aumento no fundo Quantitas Arbitragem após reabertura.

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