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Carta 173Junho 2019

Comentário do gestor

Prezados Coinvestidores,

Tivemos ótimos resultados no primei-ro semestre de 2019!

Nossos Fundos de Ações Vokin GBV Aconcágua e Vokin K2 sobem +20,44% e +18,35% no ano. No mesmo período, o Ibovespa sobe +14,88%.

Nosso Fundo Multimercado Vokin Everest sobe +5,29% no ano, 172% do CDI acumulado de 3,07% no período.

A inflação acumulada em 2019, até 15 de junho (IPCA-15), está em 2,33% e deve terminar 2019 dentro da meta do Banco Central, abaixo de 4,25%. A meta de inflação do Banco Central para 2020 é de 4%. Para 2021, de 3,75% e, em junho, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que a meta de 2022 será de 3,5%.

O controle da inflação é de suma importância para a manutenção do poder de compra da população e para a economia de um país. Felizmente nossa inflação está sob controle!

Em junho/19 houve um movimento sincronizado dos Bancos Centrais mundiais no sentido de manter os juros baixíssimos por um período mais longo. Em alguns países desenvolvidos, as taxas de juros estão negativas. Estes juros baixos favorecem a toma-da de risco dos investidores.

O ambiente mundial beneficia o Brasil, que precisa de tempo para ajustar suas contas.

Aqui, a Reforma da Previdência deve ir à votação na Câmara dos Deputados ou antes do recesso, que se inicia dia 18 de julho, ou logo após, em agosto.

A tentativa de incluir Estados e Municípios na Reforma ainda persiste, e consideramos que será muito positivo se isto acontecer.

O governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, dizem que já contam com apoio suficiente para a aprovação da Reforma, faltando apenas alguns ajustes. Acreditamos que a aprovação da Reforma, neste momento de juros baixos em todo o mundo e de inflação sob controle, abrirá caminho para no-vos cortes na taxa básica de juros brasileira.

Hoje, a Selic está em 6,5% ao ano, a menor da história. Poderemos ver esta taxa abaixo dos 6%, talvez em 5,5% até o final do ano.

Este cenário nos deixa muito otimistas, seja para os fundos GBV Aconcágua e K2, seja para o fundo Everest.

Juros mais baixos fazem com que o dinheiro tenha que ser posto para trabalhar. E nosso trabalho é buscar boas oportunidades de investimentos, que se tornam mais atraentes quando os juros estão baixos.

Paulo Guedes, ministro da economia, tem dito que o Brasil tem que deixar de ser o país dos rentistas para ser o país dos empreendedores e investidores.

O percentual do dinheiro investido em fundos de ações está muito baixo em comparação aos últimos anos. Acreditamos que, tanto os Fundos de Pensão, como os investidores de um mo-do geral, tendem a alocar mais recursos em ações nos próximos anos.

O momento nos parece oportuno para a tomada de riscos. E estamos prontos para aproveitá-lo!

Sabemos que entusiasmo não combina com o mercado de ações, e sempre somos otimistas cautelosos, mas não podemos deixar de aproveitar os momentos favoráveis, ainda mais porque somos investidores de longo prazo e que aguentam os períodos difíceis.

Estamos confiantes em nosso processo de tomada de decisões que tem sido aprimorado desde janeiro de 2016, com alterações que se provaram acertadas, pois estamos com resultados mais consistentes.

Num levantamento entre 266 fundos de ações brasileiros, desde janeiro de 2016, somos o 11º e o 15º em rentabilidade, ou seja, estamos entre os 6% melhores. No ranking do índice Sharpe, que mede retorno em relação ao risco, ficamos em 4º e 5º lugares, ou seja, estamos entre os 2% melhores.

Desempenho passado não garante desempenho futuro, mas manteremos a disciplina e trabalho em nosso processo e decisões colegiadas, cuidando do dinheiro de todos os cotistas que está juntamente com o nosso.

Muito obrigado pela confiança e por estarem junto conosco!

Economia

Um grande negociador

Usamos esse espaço diversas vezes para comentar sobre a Guerra Comercial entre EUA e China e seus efeitos sobre a economia mundial. Apesar das estimativas apontarem que há mais impactos negativos que positivos, o que pode ser facilmente confirmado por teorias de comércio internacional. O fato é que devemos avaliar esse evento por outros prismas, procurando responder, de forma lógica, o que motivou a entrada dos EUA nesse contencioso com a China – o maior fornecedor de insumos e bens de consumo final para aquele país. Pois bem, uma explicação pode ser o contexto da eleição presidencial americana de 2016 e a proximidade do próximo pleito, em 3 de novembro de 2020, do qual as primárias já ocorrem entre fevereiro e junho. Uma rápida análise sobre o resultado que elegeu D. Trump mostra que os 30 Estados onde os Republicanos conseguiram ganhar possuem uma característica econômica diferente. São, em sua maioria, produtores agrícolas, de aço e automóveis além de concentrarem a produção industrial e as exportações. Portanto, nada mais natural que esperar uma ação no sentido de defender os interesses dessas regiões, exatamente as mais atingidas pela concorrência com as importações de US$ 540 bilhões (em 2018) da China. A tarifa de 25% sobre US$ 250 bilhões atinge percentuais elevados das importações da China de itens de consumo final, como brinquedos e equipamentos esportivos, calçados, roupas e produtos têxteis e eletrônicos. Para se ter uma ideia da importância da China em determinados mercados americanos, basta ver que, somente de aparelhos celulares, os EUA importam US$ 44 bilhões ao ano da China. Em resumo, a medida tarifária impacta em torno de 2,6% do PIB americano. Desse ponto de vista, é pouco para representar o “desastre econômico” que se vê nos noticiários e também é apenas 8% do total importado pelo país que é de US$ 3,1 trilhões. Percebe-se, então, que o espaço ganho no noticiário é bem maior que o impacto econômico. Quero enfatizar aqui que reconhecer o direito do pleito e suas justificativas não avaliza as medidas protetivas, exatamente pelo fato que elas têm o potencial de gerar distorções na economia no médio prazo. E esse é um ponto central do debate. Por mais danosa que seja uma medida de proteção, o fato é que, no curto prazo, ela gera benefícios econômicos perceptíveis para determinados grupos de pessoas e empresas e que podem ser traduzidos em bônus político no ano que vem. O primeiro deles é a criação de empregos, movimento que já é possível ver em setores do aço, indústria automobilística e demais indústrias do segmento metal-mecânico nos EUA. O segundo benefício, menos comentado, ocorre na área fiscal. Com a introdução de tarifas, temos uma possível arrecadação federal adicional de US$ 62,5 bilhões em um espaço de um ano. Para um Governo com orçamento deficitário de US$ 900 bilhões (previsto para 2019 que vai de 01/outubro/2018 a 30/ setembro/2019), esses recursos representam um alívio. E, mais ainda, as projeções para 10 anos dão conta de um déficit estabilizado em 4,4% do PIB ao ano entre 2020-2029, mesmo com a projeção de redução na arrecadação com o corte de alíquotas feito entre 2017-2018 e que começam a expirar em 2025. É claro que, em última instância, quem paga a conta da tributação da importação é o consumidor americano, mas que pouco consegue perceber isso, ainda mais se o preço dos produtos não aumentar na ponta final. Isso faz com que analistas concentrem olhares no comportamento da inflação e seus desdobramentos sobre a política monetária. Pois bem, estimativas preliminares apontam que o impacto sobre os preços aos consumidores pode ficar em torno de 0,4 ponto percentual distribuídos ao longo do tempo. Para uma inflação que está estável em 2% ao ano, seria um efeito elevado, mas os números, até esse momento, não confirmam esse movimento de preços. O Governo Chinês percebeu que mesmo com a retaliação que promoveu sobre a totalidade dos US$ 120 bilhões que importa dos EUA, ele seria o maior prejudicado. Do lado dos EUA, a maior parte dos produtos atingidos por essa retaliação envolve o setor agropecuário e exatamente nas regiões eleitorais de Republicanos. Qual foi a solução? Um projeto de lei concedendo subsídios para produtores rurais da ordem de US$ 12 bilhões! Se podemos resumir essa novela em um tema, ele seria: “um grande negociador”. Os EUA conseguiram trazer a China para a mesa de negociação, algo que nenhum outro presidente teve coragem. Agradou produtores agrícolas e da indústria, gerou empregos, trouxe empresas de volta para os EUA e, de quebra, ainda vai conseguir aliviar o caixa do orçamento pagando parte do benefício fiscal concedido anteriormente a famílias e empresas. Essa majoração de alíquotas pode ser revertida em votos no ano que vem, e ainda dá tempo de voltar atrás, depois de novembro, para evitar maiores distorções na economia.

Vokin GBV Aconcágua

Comentários dos Gestores

No mês de junho o Vokin GBV Aconcágua fechou com valorização de 3,50%, enquanto o Ibovespa teve alta de 4,05%.

A Bolsa brasileira continuou seu movimento de alta no último mês e teve um fechamento acima de 100 mil pontos pela primeira vez na história. Os principais fatores que contribuíram para esta alta foram as perspectivas mais favoráveis à reforma da Previdência e a situação mais acomodatícia dos juros no Brasil e no mundo, que diminuem o custo de oportunidade do dinheiro e levam os investidores a correr mais risco. Houve também uma turbulência gerada pelos vazamentos de supostas trocas de mensagens entre Sérgio Moro, na época em que era juiz, e procuradores da Lava Jato, porém seu impacto no mercado acionário foi limitado.

A perspectiva de juros mais baixos no mundo foi ocasionada pela desaceleração das principais economias mundiais, corroborada pelas falas dos presidentes dos bancos centrais americano e europeu, que reforçaram essa tese. Esse aspecto, aliado a expectativa de inflação cada vez mais baixa no Brasil, contribuiu para a queda dos juros aqui também. No entanto, o BC local condicionou o início do alívio monetário a uma efetiva aprovação da reforma pela Câmara que, caso se materialize antes do recesso de julho, poderia levar a uma redução da SELIC já na próxima reunião e os juros no final do ano a até 5,5%.

A Via Varejo, uma das nossas principais posições, teve uma mudança na estrutura acionária. O Pão de Açúcar, até então o controlador da empresa, vendeu a mercado sua participação para outros investidores. Pela nova composição, a família Klein volta a ser controladora do negócio. Na nossa visão, essa mudança foi positiva, pois a companhia vinha tendo dificuldades de enfrentar a concorrência, principalmente da Magazine Luiza, nos últimos anos. Diversas mudanças já estão em curso, como a entrada do novo CEO Roberto Fulcherberguer e a contratação de alguns novos diretores. Acreditamos que a retomada de um melhor planejamento de compras e uma mudança na estratégia de marketing, aliada a iniciativas que já vinham sendo implementadas antes mesmo dessa mudança – como integração maior entre os centros de distribuição e plataformas online e offline beneficiarão a retomada da margem bruta do negócio para patamares em linha com a média histórica da empresa. As movimentações que aconteceram estão sendo bem recebidas pelo mercado, que já começa a precificar uma melhora na empresa.

O mês de julho deve continuar com grande foco na reforma da previdência que se aproxima da tão aguardada votação da câmara de deputados, considerada o passo mais difícil no processo. Estamos otimistas de que ela será aprovada.

Vokin K2 Long Biased FIA

Comentários dos Gestores

Em junho, estes foram os principais fatos ou comunicados ao mercado das empresas dos Fundos:

MINERVA: durante o mês de junho havia anunciado férias cole-tivas para sua unidade de Barretos em virtude da suspensão das exportações de carne bovina à China, notificou a retomada das atividades em função da retomada das exportações ao mercado asiático.

CELESC: teve seu rating corporativo elevado pela Moody’s, de Ba3 para Ba2 na escala global, e de A1.br para Aa3.br na escala nacional brasileira. A elevação dos ratings foi impulsionada pelo progresso feito pela companhia em garantir financiamentos de longo prazo com custos menores e resolução de disputas sobre passivos regulatórios.

VIA VAREJO: apresentou mudanças relevantes em seu quadro acionário, com a saída do Grupo Pão de Açúcar, que detinha 36% do capital da empresa, a partir da venda total de suas ações em um leilão que movimentou R$ 2,3 bilhões, ao preço de R$ 4,90 por ação. Michael Klein tornou-se o maior acionista individual da com-panhia ao adquirir 1,6% das ações no leilão, somando agora 26,6%. Ainda durante o mês de junho, a companhia anunciou, em parceria com a Airfox, o lançamento do banQi, banco digital que pretende oferecer serviços de pagamento com foco em clientes desbancarizados, utilizando-se da sua capilaridade nacional através da sua rede de lojas.

IOCHPE-MAXION: informou que a BlackRock Inc. alcançou 6,07% do total de ações preferenciais emitidas pela companhia, além de outros 1,32% do total das ações em instrumentos financeiros derivativos.

KLABIN: comunicou que liquidou a dívida a vencer do Programa de Parcelamento Fiscal (“REFIS”) no montante de R$ 323 milhões. A liquidação antecipada é parte do processo de gestão ativa da dívida, otimizando a estrutura de capital da companhia.

PÃO DE AÇÚCAR: irá adquirir as operações da rede colombiana Éxito por cerca de R$ 9 bilhões, em que o grupo controlador Casino desembolsará R$ 5 bilhões, em contrapartida a uma emissão de ações. A operação faz parte de um plano de reestruturação do grupo francês para as suas operações na América Latina.

FRAS-LE: divulgou que a receita líquida consolidada da Companhia, no mês de maio de 2019, atingiu R$ 113,2 milhões ou 18,2% maior que aquela de maio de 2018. No acumulado do ano, a receita líquida consolidada totaliza R$ 549,9 milhões ou 28,8% maior que no acumulado no mesmo período do ano anterior.

Vokin Everest FIC FIM

Comentários dos Gestores

O mês de junho foi bastante favorável para os ativos de risco, com notícias positivas tanto no ambiente doméstico, quanto internacional. No Brasil, o principal destaque é o andamento da reforma da previdência, cujo projeto, apesar ter sofrido ajustes, possui perspectiva favorável de uma primeira aprovação no congresso antes do recesso, ou logo após seu retorno. Pelo lado econômico, infelizmente não há novidades com relação à dinâmica de atividade e desemprego, o que tem levado à expectativa de um novo movimento de cortes nas taxas de juros, cuja projeção média do mercado é de encerrar o ano a 5,50%, ante os 6,50% atuais. O próprio Banco Central já deu sinais de novos cortes, porém deixando claro que aguarda sinais mais evidentes sobre a reforma da previdência antes de iniciar o ciclo de cortes.

No âmbito global, os bancos centrais dos Estados Unidos e Europa também deram novas indicações de um novo ciclo de cortes ou estímulos, o que beneficia diretamente os ativos de risco. Além disso, mais próximo do final do mês, vieram novas notícias de uma possível trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China, reduzindo alguns temores de maior desaceleração no crescimento global. Com relação ao desempenho mensal dos principais indicadores locais, a bolsa encerrou em alta (Ibovespa com +4,06%), dólar em queda contra o real (-2,75% no mês) e forte fechamento das taxas de juros reais (levando à alta de +3,73% no IMAB).

O fundo Everest encerrou o mês com alta de 1,54%, ante 0,47% do CDI, acumulando, no ano, rentabilidade de 5,29% ante 3,07% do CDI, ou seja, 172% do CDI no ano. Os melhores resultados no mês foram dos fundos Ibiúna STH (+4,67%), Kapitalo Zeta (+3,99%) e Exploritas Alpha (+3,82%), sendo que boa parte dos ganhos vieram de posições favoráveis ao fechamento das curvas de juros (local e internacional) e compradas na bolsa brasileira. Entre os fundos de pior desempenho estão Neo Multi (-0,23%), Quantitas Arbitragem (+0,16%) e Gávea Macro Plus (+0,38%), os dois últimos, apesar do resultado positivo, ficaram abaixo do CDI no período.

Não foram feitas alterações na carteira do fundo ao longo do mês.

A indicação de uma nova rodada de redução nas taxas de juros nos países desenvolvidos mantém um movimento favorável para os ativos de risco globais, ainda que existam alguns pontos a serem monitorados com bastante atenção como uma eventual desaceleração mais acentuada da economia norte-americana ou nova escalada da guerra comercial dos Estados Unidos. No Brasil, a proximidade da votação da reforma da previdência deve trazer mais volatilidade para o mercado, com as últimas tentativas dos deputados de alterarem partes do projeto para atender demandas específicas. Ainda assim, a expectativa é de que um projeto pelo menos satisfatório seja aprovado, abrindo espaço para um novo ciclo de corte de juros e o encaminhamento de novas medidas por parte da equipe econômica do governo.

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